Amcham discute propostas para Brasil reduzir déficit de mão de obra especializada

publicado 18/10/2011 11h47, última modificação 18/10/2011 11h47
São Paulo- Para o CEO da entidade, Gabriel Rico, são fundamentais ações conjuntas da iniciativa privada, governos e instituições de ensino.
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A Amcham apresentou e debateu nesta terça-feira (18/10) um conjunto de proposições para o Brasil enfrentar a escassez de mão de obra técnica qualificada, um dos principais gargalos para a maior competitividade do País. As sugestões são resultado de um conjunto de seminários e pesquisas junto ao empresariado.

“O Brasil vive um déficit de mão de obra qualificada, especialmente no nível técnico. A formação profissional precisa ser adequada à demanda da economia. Para isso, há necessidade de esforços conjuntos entre empresas, governos e as diversas instituições de ensino”, disse Gabriel Rico, CEO da Amcham no seminário “Competitividade Brasil: Custos de Transação- Mão de Obra”, em São Paulo.

De acordo com a Amcham, são fundamentais os esforços para colocar em prática no País as seguintes medidas:
• Criação de incentivos fiscais às companhias que investem em capacitação;
• Reforço no Ensino Médio direcionado à profissionalização através da atualização de seu conteúdo;
• Desenvolvimento de um programa intensivo de melhoria do Ensino Médio nas áreas de Matemática, Ciências, Física e Química, que funcionaria no contra-período dos colégios públicos;
• Aumento dos estímulos à inovação, com melhor articulação das instituições de Pesquisa & Desenvolvimento e buscando ampliação do número de registros de patentes no País.

Histórico

O programa "Competitividade Brasil – Custos de Transação" da Amcham-Brasil foi lançado em 2010 para debater e apontar soluções para os principais gargalos que comprometem uma maior competitividade brasileira: déficit de mão de obra técnica, deficiências de infraestrutura, excesso de burocracia e baixa eficiência do Estado.

Ao longo de 2010, foram realizadas pesquisas junto à base de associados da Amcham quatro grandes seminários na Amcham-São Paulo, por meio dos quais foram levantadas sugestões, em seguida priorizadas sob a ótica de urgência e importância para o empresariado.

Nesta terça-feira (18/10), a discussão sobre mão de obra foi novamente tema central de discussão, dentro dos esforços da entidade de intensificação do diálogo público-privado.

No dia 22/08, a Amcham já havia promovido um evento nos mesmos moldes que abordou a questão da infraestrutura brasileira, e, entre junho e agosto, a entidade realizou também seminários em quatro grandes cidades em que está presente (Belo Horizonte, Campinas, Curitiba e Recife) para analisar a competitividade regional.

Pesquisa

Em 2010, uma pesquisa realizada pela Amcham junto a seus associados com o apoio do Ibope, mostrou que os principais desafios para enfrentar o déficit de mão de obra capacitada no País estão relacionados a expansão dos centros de formação acompanhando o nível de crescimento econômico, ampliação dos investimentos públicos em capacitação, dispersão territorial do mercado de trabalho (dificuldade para encontrar profissionais especializados em locais distantes dos grandes centros urbanos) e viabilização de modelos de parceria público-privada, sendo os dois primeiros os maiores – para 30% e 28% dos entrevistados, respectivamente.

O estudo foi reapresentado no seminário desta terça-feira. No processo de sondagem, foram ouvidos, entre 28/04 e 17/05, 211 altos executivos de companhias dos mais variados setores e portes localizadas em dez cidades do País. Desse total, 121 falaram especificamente sobre a questão da mão de obra.

A falta de profissionais qualificados no Brasil é tal que, além de ter dificuldade para preencher vagas em aberto, as empresas precisam investir maciçamente na capacitação daqueles que compõem seus quadros. A pesquisa da Amcham mostra que 76% das companhias conduzem atualmente programas de treinamento interno, 60% subsidiam cursos externos para seus funcionários e 40% desenvolvem parcerias com instituições acadêmicas.

A capacitação, além de exigir investimentos pesados das companhias, ocupa parte considerável do tempo de trabalho dos profissionais. Na grande maioria das empresas (78%), até 10% da carga horária dos empregados são despendidos com programas de formação técnica.
Centros de formação

O levantamento da Amcham indicou ainda que, na visão do setor privado, há uma importante relação entre os centros de formação de engenheiros e técnicos e a atual realidade da mão de obra especializada e seu enfrentamento. Os empresários reconhecem a qualidade dos profissionais capacitados por essas instituições (52% veem esse aspecto como totalmente adequado), mas as consideram ainda aquém do ideal em termos de custos (totalmente inadequados para 47%), quantidade de graduados em relação às necessidades do mercado (totalmente inadequada para 49%) e distribuição geográfica nas diversas regiões do País (totalmente inadequada para 49%).