Amcham reúne 1300 participantes em eventos de competitividade por todo o Brasil em 2011

por andre_inohara — publicado 20/12/2011 10h19, última modificação 20/12/2011 10h19
São Paulo – Seminários do programa ‘Competitividade Brasil – Custos de Transação’ passaram por cinco cidades.
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No segundo ano do programa ‘Competitividade Brasil – Custos de Transação’, a Amcham levou a discussão sobre as dificuldades estruturais da economia para várias cidades do Brasil.

Entre junho e novembro, foram realizados debates realizados em Belo Horizonte, Curitiba, Campinas, Recife, São Paulo e Brasília. Somados aos de 2010, os eventos do programa reuniram 1300 participantes e 54 palestrantes.

Em cada cidade, foram discutidos os principais entraves ao desenvolvimento econômico do País e das respectivas regiões.

O programa Competitividade Brasil foi criado pela Amcham em 2010 para discutir e formular propostas para aumentar o desempenho da economia brasileira.

Belo Horizonte

A capital mineira foi a primeira cidade a receber o programa de Competitividade da Amcham, em 28/06.

Para os palestrantes, as melhorias de infraestrutura não devem se limitar a atender a necessidades pontuais, como as da Copa do Mundo, mas fazer parte de um grande projeto, com visão de longo prazo.

O Estado de Minas Gerais, por sua localização estratégica, tem grande potencial para ser um “Estado logístico”. Para isso, é fundamental achar uma solução para as estradas federais no Estado.

Hoje, aproximadamente 80% da malha rodoviária no território mineiro são administrados pelo governo federal, com grande carência de modernização.

A escassez de mão de obra técnica, um dos principais entraves à competitividade brasileira, também atinge com seriedade o setor produtivo de Minas Gerais.

Propostas como a formação de consórcios para atuar em capacitação, importação de profissionais em setores carentes e combate à evasão de estudantes universitários, especialmente das chamadas ciências duras (hard sciences), foram apontadas como alternativas.

Curitiba

O Paraná também sofre com a insuficiência no sistema de transportes, conforme constatado pelos participantes do evento de 13/07 em Curitiba. Por isso, o governo estadual busca mais envolvimento da iniciativa privada nos projetos ligados à infraestrutura logística.

O Poder Executivo paranaense tem trabalhado para aprovar uma lei de Parceria Público-Privada (PPPs) mais adequada às características da região, e assim viabilizar projetos de modernização de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias.

Para os palestrantes, a principal deficiência competitiva do Paraná está relacionada à estrutura de distribuição. Praticamente todos os setores da economia expandiram suas capacidades produtivas no Paraná desde 2010.

Mas, sem capacidade adequada de distribuição (escoamento, armazenagem e exportação da produção), há risco de perda de atratividade de investimentos.

Campinas

A região de Campinas, um dos principais pólos de tecnologia de São Paulo, enfrenta grande carência de profissionais especializados tanto de nível superior como técnico. Os esforços das empresas para contratar e formar pessoal foram os temas do seminário de Competitividade ocorrido em 26/07, em Campinas.

Os debatedores comentaram que as empresas correm contra o tempo para formar profissionais qualificados, mas há outros entraves como os encargos elevados que incidem sobre a folha de pagamento, a falta de incentivos para investimentos em capacitação profissional e o grande volume de reclamações trabalhistas.

Para a formação de profissionais qualificados, as empresas têm criado treinamentos internos próprios. No entanto, consideram fundamental formar parcerias com instituições de ensino para melhorar a quantidade de pessoal e preencher necessidades específicas de formação.

Recife

Pernambuco está criando uma estratégia agressiva para formar mão de obra especializada em curto prazo.

A meta do Estado é aumentar a oferta de qualificação básica para 100 mil matrículas até 2014, disse o secretário de Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo do Estado de Pernambuco, Antonio Carlos Maranhão.

O Estado registrou 20 mil matrículas em 2010 e de atingir 50 mil em 2012, revelou o secretário, no evento de competitividade realizado em Recife em 05/08. O crescimento dinâmico do Estado tem justificado a pressa.

Muitas empresas da região têm recorrido à importação de mão de obra para preencher suas vagas. Além disso, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) está criando novos cursos de engenharia em parceria com outras instituições, para suprir à demanda.

Na questão de infraestrutura, Pernambuco está investindo na melhoria de modais logísticos como o ferroviário e o marítimo de cabotagem, para atender às necessidades de transporte de produção até o complexo portuário de Suape.

São Paulo

Em 23/08, a cidade de São Paulo voltou a receber um evento de competitividade, tendo como tema a atração de investimentos público-privados no Estado. Na ocasião, foi mostrado que, para a economia brasileira crescer mais de 5% ao ano, tem de investir 25% do PIB (Produto Interno Bruto), em vez dos atuais 18%.

Nesse sentido, o envolvimento da iniciativa privada será cada vez mais importante.

O vice-governador do Estado de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, disse que o governo está articulando um total de 103 projetos de PPPs, com investimentos de R$ 32,3 bilhões e geração de quase 59 mil empregos diretos.

Os empresários que participaram do painel ressaltaram a importância de melhorar a infraestrutura de transportes como forma de aprimorar o desempenho da economia paulista.

As discussões sobre qualificação da mão da obra ocorreram em 18/10. O aumento da oferta de profissionais qualificados depende de planejamento de longo prazo e ações integradas envolvendo empresas, governos e instituições de ensino.

Na avaliação dos painelistas, os agentes públicos e privados estão crescentemente sensibilizados sobre a necessidade de aproximação entre eles e que o País já conta iniciativas bem sucedidas nesse sentido de formação de mão de obra.

Brasília

O último evento de competitividade, ocorrido em 24/11, abordou a escassez de mão de obra qualificada e os desafios de logística enfrentados pela agricultura brasileira.

A qualidade da mão de obra brasileira, necessária para sustentar o desenvolvimento econômico dos próximos anos e garantir uma maior competitividade, tem de ser pensada desde os primeiros anos da vida escolar.

Além disso, o governo federal deveria assumir a responsabilidade por todos os níveis de ensino, desde o básico até o superior.

Em relação à agricultura, a tecnologia avançada de plantio e o clima favorável tornam a agricultura brasileira uma das mais competitivas do mundo.

No entanto, a eficiência do setor é ofuscada por estradas em más condições e portos sobrecarregados e carentes de modernização, além da falta de políticas claras de produção agrícola.