Ao emitir sinais contraditórios, governo inibe investimentos

publicado 31/07/2013 14h10, última modificação 31/07/2013 14h10
São Paulo – Pedro Wongtschowski alerta para a necessidade da elite se engajar nos serviços públicos
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A comunicação equivocada do governo sobre medidas para o setor produtivo e a inexistência de diálogo com a iniciativa privada afetam a confiança e inibem os investimentos no país, avalia o empresário Pedro Wongtschowski, integrante do conselho da Ultrapar.

Ele participou do Seminário Momento Político Atual: Impacto no Negócio, na Amcham – São Paulo, terça-feira (30/07), ao lado de Nilson Teixeira, economista-chefe do banco Credit Suisse; o economista e ex-ministro Delfim Netto; Jacques Marcovitch, professor da USP; e Pedro Wongtschowski, conselheiro da Ultrapar. Mediado por Gabriel Rico, CEO da Amcham – Brasil, o painel discutiu o impacto dos protestos que ocorrem desde junho sobre a economia brasileira.

Para o empresário, o país passa por desconfianças originadas na gestão do atual governo federal. Decisões de investimento equivocadas, morosidade e inadequações em licitações, mudanças de regras repentinas e a ocupação política de agências reguladoras afetam a credibilidade do setor público, avalia.

“Muitos investiram na Vale e, na sequência, o governo sinalizou que a empresa deveria focar em siderurgia. Houve inclusive troca de comando e o resultado foi queda das ações”, comenta. “As agências reguladoras foram criadas com o intuito correto, mas ao longo do tempo, se transformaram de técnicas em partidárias e muitas já não cumprem seu papel”, acrescenta.

Wongtschowski diz que, aliado a isso, a mudança na percepção do provável resultado eleitoral, em 2014 (com queda na popularidade da presidente Dilma Rousseff), gera ainda mais insegurança.

Serviços públicos

O empresário analisa que o governo “desaprendeu a ouvir” a iniciativa privada e outros setores da sociedade. Para ele, a demanda é muito mais ampla do que de incentivo ao consumo.

“O estado brasileiro trata as pessoas como consumidores, não como cidadãos. Todos querem adquirir bens, mas acima de tudo, querem perspectivas, esperanças. A demanda é maior do que a inclusão na classe média”, declara.

Pedro Wongtschowski afirma, também, que é preciso que a elite econômica se volte aos serviços públicos e exija qualidade. Ele cita um cartaz dos protestos cuja frase era “país desenvolvido não é em que o pobre anda de carro, mas em que o rico usa transporte público”.

“A elite abriu mão da saúde, da segurança e do transporte, aplicados normalmente pelo setor público, e passou a usar carro, escola particular, hospital privado. Os serviços foram ficando com patronos de baixo poder político. À medida que a elite se envolve e passa a ser cidadão comum, isso muda”, diz.