Apesar da crise, Temer deve se esforçar para aprovar reformas, segundo consultor político

publicado 09/06/2017 13h23, última modificação 09/06/2017 13h48
São Paulo – Para Carlos Eduardo Lins da Silva (Patri), é fundamental ao governo apoiar uma agenda de mudanças
Carlos Eduardo Lins da Silva

Carlos Eduardo Lins da Silva (Patri): Governo Temer tem chance razoável de continuar até 2018, porém com baixa influência no Congresso

Mesmo com a instabilidade atual, o governo de Michel Temer vai se empenhar para aprovar as reformas trabalhista e previdenciária, de acordo com o consultor Carlos Eduardo Lins da Silva, sócio-diretor da Patri Políticas Públicas. “Se Temer ficar no governo, é fundamental para ele aprovar alguma coisa. Acho que a reforma trabalhista vai passar na íntegra, e a previdenciária com muitas mudanças. Talvez a aposentadoria por idade seja mantida”, assinalou Silva, que participou do comitê estratégico de Finanças da Amcham – São Paulo na quinta-feira (8/6).

Se não houver imprevistos, a reforma trabalhista deve ser aprovada no Senado nesse semestre, de acordo com Silva. O projeto foi aprovado hoje na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e será submetido à outra comissão (de Assuntos Sociais) na semana que vem. O governo quer que o texto seja aprovado até julho.

Já uma reorganização mais profunda da previdência social ficaria para o próximo governo, opina o consultor. “Teremos que ver se o presidente depois de 2018 terá disposição para fazer uma reforma previdenciária de verdade.”

O presidente Temer se tornou alvo de investigação judicial em maio, depois de aparecer em uma conversa gravada com o empresário Joesley Batista, da JBS, supostamente dialogando sobre práticas ilícitas. O escândalo enfraqueceu o governo, que desde então vem perdendo apoio político para votar as reformas propostas.

Silva estima que a chance de Temer continuar no governo é grande, mas com capacidade reduzida de articulação. “Mesmo que continue escapando, Temer vai ser um presidente frágil.” Ele compara a situação de Temer a outro presidente, José Sarney, que governou o país de 1985 a 1990. No final do mandato, Sarney perdeu apoio do Congresso e não conseguia aprovar nenhuma medida importante para livrar o Brasil da crise econômica da época.

Apesar da turbulência, Silva estima que os grupos políticos que apoiam Temer vão se manter no poder até o final de 2018. “Se ele cair, o Congresso elegerá um presidente da mesma linha de atuação.” No que se refere à economia, há uma “tranquilidade relativa”. “A única coisa que se pode dizer é que as empresas podem se planejar também com alguma margem de segurança. Essa é a razão porque os mercados estão relativamente tranquilos.”