Apesar das dificuldades, empresários enxergam potencial de crescimento e integração na AL

publicado 15/08/2016 10h53, última modificação 15/08/2016 10h53
São Paulo - Especialistas avaliaram oportunidades e desafios que empresários enfrentam na região
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Apesar do cenário desafiador que a América Latina encontra hoje (a região deve crescer apenas 0,1% em 2016, de acordo com cálculos do FMI), empresários e especialistas ainda enxergam a região como uma potência no comércio exterior. Durante o Seminário Integração Comercial e de Investimentos na América Latina, que aconteceu na sexta-feira (12/08) na Amcham - São Paulo, especialistas discutiram a conjuntura política e econômica da região e avaliaram as oportunidades de investimento e crescimento nesses países. Confira os destaques do evento:

 

“Uma coisa que sintetiza a questão é que a América Latina não é lugar para amador, é para profissional.”

“Em termos de possibilidades: na América Latina, temos um enorme mercado consumidor, com mais de 500 milhões de pessoas, que está crescendo e aumentando sua renda. “

Gilberto Peralta, CEO da GE do Brasil

 

“Na América Latina, teremos grandes incertezas, e por isso, grandes oportunidades.”

“Se o Brasil gerasse mais Embraers, seria uma potência impressionante. "

 “Estamos diante de momentos de grande incerteza. Esses sentimentos são exógenos e endógenos, ou seja, esse sentimento também está dentro das empresas. Nisso, vejo oportunidade para a transformação das empresas.”

Eduardo Ragasol, líder da Mercer na AL

 

 “Desde 2003, a gente vem explorando o mercado consumidor na América Latina. A nossa experiência nesses países têm sido positiva, porque somos quase 600 milhões de consumidores na região.”

O foco é continuar investindo na região como uma plataforma potencial importante, não só pra abastecer os mercados locais, mas entendemos também que existe um espaço muito grande para crescimento dessa aproximação da AL com outras regiões do mundo.”

Frederico Marchiori, líder de Relações Institucionais da Oxiteno

 

“A Braskem iniciou o processo de internacionalização na América Latina porque sempre foi uma região estratégica.”

“Na região, temos dificuldades relacionadas ao crédito, em questões logísticas, principalmente na Bolívia e Paraguai, e burocracia em alguns países.”

Fábio Schettini, Diretor de Operações da Braskem

 

“Um fator relevante na América Latina nos últimos anos foi a inserção social. A região foi a única que teve redução do índice GINI, que está aumentando na Europa, China e Estados Unidos.”

“A América Latina não está mal posicionada internacionalmente, tem uma vantagem comparativa forte e os empresários tem que olhar essa dinâmica. Agora com o Brasil, Argentina, Peru, Paraguai e Colômbia em uma nova perspectiva [econômica], essa dinâmica vai ter um outro aspecto que me faz ficar otimista.”

Ingo Ploger, presidente internacional do Conselho Empresarial da AL

 

Aceleração ou estagnação?


“Tem autores que defendem um ponto de vista mais otimista, que estamos entrando na hiperglobalização, uma fase mais acelerada e extensiva, associada a quarta revolução industrial (...) , tem outros que são mais pessimistas e defendem que estamos em uma estagnação secular, que não promete um progresso significativo em nenhum setor da humanidade.”

“A reforma que precisamos no Brasil é muito profunda e temos apenas um grande driver, que é o sentimento anti-corrupção. Precisaríamos de um driver de reforma para o mercado, e esse ainda é fraco.”

Eduardo Viola, professor da UNB

 

“Há um esfriamento da demanda e excesso de oferta de commodities no mundo inteiro e isso é uma externalidade muito importante para a América Latina. Nesse ano de 2016, de acordo com cálculos do FMI, o crescimento da região será apenas de 0,1% - isso também muito afetado pelo mau desempenho da economia brasileira.”

“A América Latina deve construir projeto estratégico em torno dessas novas geometrias de comércio e investimento, pegando o TTP como exemplo. “

Marcos Troyjo, professor e diretor do BRICLab da Columbia University

 

Mercosul

 

“O Mercosul sobreviverá porque tem um mérito imenso político, social. Ele desfez uma série de suspeitas e teve uma grande capacidade de união política e democrática. O bloco foi uma conquista nesse quesito. “

“O mundo passou de um mundo Mediterrâneo para o mundo do Atlântico Norte e Pacífico. E o Atlântico Sul, até agora, é um oceano secundário, acessório, periférico. Como entrar em campo? Como ser relevante? Não há hostilidade ou animosidade em relação a América Latina, apenas a ideia de certa irrelevância dentro do quadro maior.”

Marcos Azambuja, ex-embaixador do Brasil na França e na Argentina

 

Apesar de se falar muito mal do Mercosul, a grande verdade é que o bloco, principalmente a Argentina, continua sendo um grande mercado para produtos manufaturados brasileiros, graças as altas barreiras tarifárias do acordo.

Qual o desafio dos governos? Escolher a política econômica que devemos adotar no cenário em que a inserção da América Latina será muito difícil. Não haverá outro boom de commodities, o crescimento da China não vai voltar a ser o que era antes e os problemas estruturais da região continuam a existir.

Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do MDIC