Aprimorar gestão contábil, aproximando-se de padrões internacionais, é fundamental para empresas obterem bons resultados

por marcel_gugoni — publicado 06/11/2012 17h07, última modificação 06/11/2012 17h07
São Paulo – Consultor diz padrão IFRS permite comparação mais fiel entre empresas de diferentes países e facilita decisão de investimentos.
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As empresas que mais crescem no mundo são aquelas que seguem padrões rígidos de controle financeiro e adotam práticas contábeis baseadas na transparência e na informação qualificada. Investir de forma consistente em gestão, principalmente na gestão contábil, é garantia de bons resultados, afirma Cláudio Damasceno, sócio BlueNumbers Consultoria Empresarial.

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“Vale a pena investir os recursos para melhorar o padrão de gestão corporativa de um modo geral, entendendo que o padrão de gestão contábil é um instrumental para que a gestão corporativa e a governança tenham fundamento”, resumiu ele, que participou do comitê aberto de Finanças da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (06/10).

O comitê debateu o tema do fechamento dos demonstrativos financeiros, que se inicia a partir deste último trimestre do ano, pela ótica das oportunidades para 2013. Segundo o consultor, as companhias devem ter como meta para o próximo ano estruturar a área financeira buscando aproximação com os padrões internacionais.

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“As empresas com maior sucesso são as que melhor se preparam para produzir informações confiáveis”, reforça. “A ferramenta para produzir isso é estruturar a contabilidade dentro dos princípios internacionais.”

Damasceno se refere às Normas e Padrões Internacionais de Contabilidade, ou IFRS (International Financial Reporting Standards). “A principal vantagem é que a comparabilidade entre empresas do mundo inteiro é muito maior”, diz.

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A despeito da língua em que é produzido e do sistema tributário em que a companhia está inserida, o IFRS permite comparar os mesmos dados a partir de cálculos idênticos. “Estamos comparando contas iguais. Essa é a grande vantagem”, defende o consultor.

Olhar para o futuro

Um dos pontos a favor do modelo do IFRS, largamente adotado na Europa (ao passo que o USGap é o padrão contábil mais utilizado nos Estados Unidos), é que ele adota uma visão de ativos e passivos mais interligada à estratégia da empresa. No padrão das empresas brasileiras, o ativo se resume a bens e direitos.

“O IFRS estrutura uma visão da empresa enxergando o futuro da operação”, explica Damasceno. “É uma visão contábil muito mais estratégica do que apenas a visão antiga que era de registro de fatos contábeis. O IFRS, em poucas palavras, é um padrão contábil com visão estratégica.”

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Dados transparentes e unificados são essenciais para a tomada de decisão, explica Alexandre Lima, diretor financeiro da Chilli Beans. Ao participar do comitê, ele contou que a empresa está caminhando para padronizar todos os seus resultados contábeis, inclusive dos franqueados.

“Nosso controle de custos ainda está engatinhando com os franqueados, mas queremos chegar ao final de 2013 com uma visão mais padronizada de controles para a rede”, antevê. “Os franqueados ainda estão acostumados a pensar puramente no comercial, mas é necessário aprender que o controle é essencial para a sobrevivência do negócio.”

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Lima considera que empresários e empreendedores que atuam sem a veia contábil e pensando estritamente no comercial e na produção falham, por exemplo, em aplicar todo o lucro em estoque. É um erro crasso que costuma deixar a empresa sem capital de giro. Para ele, “a visão contábil deve estar em sinergia com a visão de negócios como um todo, com as vendas e o que elas proporcionam de resultado no final do dia”.

Desafios financeiros

Padrões unificados de contabilidade ajudam, inclusive, a prever os impostos devidos. Damasceno explica que a Receita Federal já tem controle suficiente sobre as movimentações financeiras das empresas, elas declarando ou não suas atividades e impostos devidos. “A informalidade sempre sai mais caro”, avalia.

Mas ainda há dificuldades, como a alta burocracia envolvida no pagamento de tributos. No Brasil, as empresas gastam 2.600 horas por ano nesse tipo de atividade, enquanto na China não chegam a 400. “Esse é um dos desafios que tocam a área [financeira]”, diz o consultor.

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Outro gargalo diz respeito à qualificação da mão de obra para atuar na área contábil. “A legislação tem sido melhorada e está cada vez mais sofisticada, mas o preparo técnico não tem acompanhado necessariamente as mudanças”, analisa. “É preciso de um esforço dentro das empresas para elas estarem preparadas para a gestão financeiras baseadas nos princípios contábeis que hoje são exigidos por todas as práticas gerenciais internacionais, não apenas pelo governo.”

E a lição que fica é que, se as companhias olhem para 2013 como um ano de oportunidade para melhorar a gestão financeira. “O maior desafio, na apuração e demonstração de resultados, é apurar os custos das empresas que não têm isso bem estruturado. O ano de 2013 é quando podemos agir”, complementa o consultor.