Ascensão social e maior concorrência pressionam logística do varejo brasileiro

por daniela publicado 29/06/2011 14h24, última modificação 29/06/2011 14h24
Daniela Rocha
São Paulo - Para atender novos clientes e regiões, são necessárias soluções inovadoras, e o meio empresarial deve continuar cobrando mais investimentos na infraestrutura do País, destaca Paulo de Tarso Petroni, sócio da PwC.

A mobilidade social ascendente da população no País - com surgimento de novos perfis de consumidores e mercados em regiões diferenciadas - e a ampliação da concorrência nos negócios são fatores que têm pressionado a atuação da logística do varejo brasileiro e levado a uma forte revisão de suas estratégias. É o que avalia Paulo de Tarso Petroni, sócio da PricewaterhouseCoopers na área de Melhoria de Desempenho Empresarial.

“A pressão na cadeia de abastecimento é cada vez maior e causada pelos novos clientes e novas regiões, assim como pela concorrência no setor varejista. É um desafio atender, por exemplo, os pequenos varejos muito pulverizados e atingir mercados que crescem rapidamente no Nordeste. O fator logístico tem que deixar de ser entrave para ser visto como fonte de vantagem competitiva nesse cenário”, comentou Petroni, que participou nesta quarta-feira (29/06) do comitê de Logística da Amcham-São Paulo com o tema ‘Logística na Era Multicanal’.

Outro desafio que é enfrentado na logistica do varejo é que o ambiente online, que engloba os sites próprios dos estabelecimentos e os de compra coletiva, além dos  mecanimos de busca e comparação de preços, está tornando os consumidores cada vez mais exigentes. Como resultado, a necessidade de se reduzir os custos logísticos é reforçada, porém com maior garantia de rapidez e qualidade nas entregas.

Saídas possíveis

A solução para ampliação da performance das cadeias de abastecimento passa pela ênfase no trabalho de inteligência e de integração com tecnologias aplicadas. “São necessárias soluções inovadoras”, ressaltou Petroni.

Por outro lado, na visão do consultor, a iniciativa privada precisa pressionar cada vez mais o governo para que haja um planejamento mais estruturado em relação à infraestrutura e que os investimentos nesse setor sejam acelerados e potencializados. Caso contrário, Petroni acredita que o País perderá oportunidades que estão sendo geradas no mercado interno, espaço que poderá ser ocupado cada vez mais pelas importações e atuação, principalmente dos asiáticos.

“Fala-se que o Brasil terá apagão de infraestrutura, mas o fato é que ela já está bastante saturada. Não é possível continuar deixando a demanda ‘explodir’ para depois construir estradas”, disse ele, em referência à falta de metas para o segmento. Hoje 14,9% dos brasileiros compõem as classes A e B; 31% são da C; e 54,1% fazem parte da D e da E. Porém o futuro do País é ainda mais promissor. Em 2020, segundo a PwC, serão 20,5% das classes A e B; 38, 2% pertencentes à C; e 41,3% das D e E.

Petroni defendeu a desoneração de investimentos em infraestrutura e o incremento das parcerias publico-privadas (PPPs). O sócio da PwC também destacou a importância de incentivos fiscais aos complexos industriais integrados.

Rotina dos multinanais

O Grupo Pão de Açúcar se mantém atento às mudanças dos hábitos dos consumidores brasileiros e tem realizado uma série de inovações em sua área logística, disse Paulo Leônidas Moreira Neto, diretor de Abastecimento da rede, que também participou do comitê da Amcham.  

Para ele, é preciso atender de maneira eficiente hipermercados, supermercados, lojas de bairro e de conveniência, além dos portais de vendas online. A distribuição é feita em paletes, caixas e até produtos individuais, dependendo da natureza dos canais, que também exigem mix de produtos diferenciados. “Os canais são segregados de acordo com cada tipo de cliente”, enfatizou.

Uma grande alteração ocorreu nos hipermercados. Com a estabilidade da economia, as famílias deixaram de fazer grandes compras do mês. Dessa forma, esses estabelecimentos passaram a atuar como lojas de departamentos, oferecendo mais produtos não alimentícios, como itens de vestuário, de cama, mesa e banho, acessórios de carros, pneus e eletroeletrônicos.

Dentre os investimentos anunciados recentemente pelo grupo, figura a construção de dois centros de distribuição (CDs), em São Paulo e no Rio de Janeiro, para aperfeiçoar o atendimento às vendas online, especialmente do Extra e do Ponto Frio. O objetivo é chegar ao Natal com a estrutura fortalecida. Outro projeto em andamento é o ‘Futuro do Varejo, sistema de Tecnologia da Informação (TI), que permitirá maior integração da cadeia, isto é, a relação entre os fornecedores, os centros de distribuição e as lojas. A empresa procura trabalhar mais colaborativamente com a indústria para agregar mais competitividade.

O Grupo Pão de Açúcar tem 45 centros de distribuição em 11 estados, representando 1,3 milhão de metros quadrados de armazenagem. A empresa conta com 1327 veículos e 100% da frota são monitorados e rastreados.