Associações dos setores de alimentação, química e infraestrutura projetam recuperação em 2017

publicado 05/10/2016 09h09, última modificação 05/10/2016 09h09
São Paulo – Dirigentes defenderam a criação de políticas industriais e abertura internacional para aumentar a competitividade
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Dirigentes das associações nacionais das indústrias de alimentos, química e do setor de infraestrutura projetam retomada econômica. “Acredito em crescimento em 2017, mais por retomada da indústria do que por investimentos em infraestrutura”, disse Venilton Tadini, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), no seminário Brasil 2017: Perspectivas para o País, da Amcham – São Paulo, na terça-feira (4/10).  Dificuldades estruturais ainda impedem uma recuperação mais consistente, segundo os dirigentes.

Fernando Figueiredo, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), e Edmundo Klotz, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia), também participaram do painel.

Tadini comenta que o avanço do setor que representa vai acompanhar a recuperação da indústria. Mas para que os projetos de infraestrutura sejam retomados, é preciso criar uma política industrial que garanta o desenvolvimento de longo prazo e estabilidade jurídica e legal. “Melhorando o ambiente regulatório e dando mais previsibilidade de condições, os recursos virão.”

O executivo disse que para o Brasil crescer de 4% a 5% por ano, teria que investir cerca de 20% do PIB (Produto Interno Bruto) em infraestrutura, ou 1,2 trilhão de reais. Atualmente, o volume de investimentos no setor é de 2,5% do PIB (150 bilhões de reais). É insuficiente até para repor a depreciação dos ativos, segundo Tadini. “Para isso, precisaríamos de, no mínimo, 3% do PIB.” Além de segurança jurídica, o setor carece de juros menores para que o acesso ao crédito e ao mercado de capitais seja facilitado.

Klotz afirma que o setor de alimentos é resistente a crises em função da demanda constante. No entanto, a piora do cenário econômico trouxe alta de preços e fechamento de fábricas deficitárias. “Normalmente somos os últimos a sentir os efeitos da crise e os primeiros a sair. Mas agora está diferente. Acredito que a recuperação do setor deverá vir no fim do ano ou começo de 2017, quando chegarmos ao ponto de equilíbrio.” O executivo também defendeu a abertura de mercados internacionais para alavancar as exportações de alimentos de maior valor agregado.

Para Figueiredo, o setor químico vai continuar crescendo nos próximos anos. O valor estimado é de 25% a mais do que o PIB em 2016 e 2017, de acordo com o executivo. Mas nem tudo é motivo de comemoração. “Enquanto o mercado cresce, a produção não acompanha o ritmo. Estamos sendo inundados por importações, que chegaram a 31% do total do mercado em 2015.”

De acordo com o executivo, o desenvolvimento da cadeia química pode ser melhor explorado. O Brasil é rico em petróleo, gás e recursos minerais. Para desenvolver a cadeia industrial, Figueiredo sugere copiar modelos bem sucedidos. “Os EUA não permitem a exportação de petróleo e gás. Quem quiser usar o recurso natural americano tem que produzir lá”, referindo-se a uma medida de proteção de mercado.

O modelo poderia ser direcionado ao desenvolvimento do setor químico brasileiro. “O que pedimos é que o óleo e o gás resultantes do modelo de partilha sejam utilizados para estimular a indústria química no Brasil”. Com medidas de incentivo, o setor poderia se desenvolver mais, defende Figueiredo.