Base econômica e política do governo permite combater “cinco pecados” estruturais, diz Octávio de Barros

publicado 08/02/2017 16h18, última modificação 08/02/2017 16h18
São Paulo – Economista cita convergência de políticas entre Fazenda e BC e forte apoio de Temer no Congresso
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Para o economista Octávio de Barros, diretor executivo do Instituto República, a convergência de políticas econômicas do Banco Central e Ministério da Fazenda e a maioria do presidente Michel Temer no Congresso deixa o Brasil em condições ideais para combater o que chamou de “cinco pecados capitais”: o descontrole de gastos públicos, a ineficiência administrativa, tolerância inflacionária, isolamento de mercado e falta de reformas estruturais.

“No campo econômico, há um alinhamento que não existe há muito tempo entre o Banco Central e o Ministério da Fazenda. Isto faz uma tremenda diferença e o Brasil tem chance de superar os cinco pecados capitais”, afirma Barros na quarta-feira (8/2), no 8º Seminário de Perspectivas Comerciais, Econômicas e Políticas da Amcham – São Paulo.

O primeiro deles, a falta de disciplina orçamentária, foi superado com a aprovação da PEC dos Gastos, detalha Barros. “Estabelecemos um teto para o gasto primário nominal (endividamento). Isso é um show de bola”, comemora o economista. O limite de endividamento público permite atacar o segundo ponto, que é o descontrole de gastos. “Temos chance de enfrentar outro pecado, que é o total desprezo por eficiência alocativa. Agora, quem quiser discutir despesa, vai ter que dizer qual delas vai sair para que outra possa entrar”, acrescenta.

Em relação ao combate inflacionário, Barros se mostra confiante na eficácia das medidas de controle. Para ele, as ações do Banco Central sinalizam que a autoridade monetária não vai apenas trazer a inflação para baixo, mas criar condições para mantê-la sustentavelmente nesse patamar. “Isso muda a percepção das famílias e empresas. Com inflação baixa, todo crescimento é real.” Diante da melhora dos fundamentos econômicos decorrentes das reformas, o economista vê espaço para uma redução da meta de inflação para até 4% em 2019. Atualmente, o centro da meta definido pelo Banco Central até 2018 é de 4,5%.

Quanto ao fim do isolamento comercial do Brasil, o economista se mostra cético. A estratégia do Brasil deveria ser não só acessar mercados externos, mas também estimular a chegada de concorrentes no ambiente doméstico. “Isso dá competitividade. Sem abertura, não dá jogo”, assinala.

O quinto pecado, a necessidade de reformas estruturais, começa a sair do papel com a perspectiva de aprovação de uma reformulação das leis trabalhistas, em que a negociação entre patrões e empregados prevaleça sobre o que está na lei. Que deve ser aprovada sem retoques, segundo o economista. “Com essa base (ampla) que o presidente Temer possui no Congresso, vai ser aprovada”, segundo o economista.

Grau de investimento até 2019

Para Barros, o Brasil pode recuperar o grau de investimento no início de 2019 caso a aprovação plena das reformas previdenciária e trabalhista sejam aprovadas integralmente. “Em caso de aprovação da reforma da previdência e da trabalhista não desidratadas, o risco Brasil pode cair. Nesse caso, o mercado vai precificar o CDS do Brasil de 5 anos (indicador de risco de inadimplência dos títulos públicos de um país) como de investment grade. Deve chegar a 185 pontos, o que já seria um patamar de país com grau de investimento”, argumenta. O economista acredita que o processo de elevação da nota brasileira seria concluído no começo de 2019, após as eleições presidenciais de 2018.