BNDES e mercado financeiro são opções para financiamento de infraestrutura, afirma Britaldo Soares

por andre_inohara — publicado 25/08/2011 17h30, última modificação 25/08/2011 17h30
André Inohara
São Paulo – Captar recursos no mercado financeiro para expansão operacional é uma alternativa viável e complementar ao BNDES.
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O mercado financeiro também pode ser uma fonte de recursos para os projetos de infraestrutura, complementando o papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de financiador desse tipo de projeto.

O presidente da AES Brasil, Britaldo Soares, que também é conselheiro da Amcham, disse que é preciso agregar novas fontes de financiamento para os projetos de infraestrutra, à medida que o Brasil cresce.

Veja a entrevista de Britaldo ao site da Amcham, concedida após sua participação no seminário de "Competitividade Brasil – Custos de Transação" na Amcham-São Paulo na terça-feira (23/08).

Amcham: O que é preciso para incentivar uma maior participação do setor privado nas Parcerias Público-Privadas (PPPs)?
Britaldo Soares:
 O ponto principal cabe à iniciativa privada. Ela deve mostrar claramente ao governo os pontos críticos para esse desenvolvimento, como prazo e segurança dos projetos. O investidor privado precisa ter segurança de que seu projeto acontecerá e financiamento adequado. Obviamente, tanto o Estado como a iniciativa privada têm de apresentar à sociedade algo que faça sentido, pois estamos falando de uma parceria.

Amcham: O setor de energia é caracterizado pela necessidade de investimentos de longo prazo. Na sua opinião, as condições desse financiamento se mostram adequadas?
Britaldo Soares:
Para esse tipo de crédito, só existe o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que é o grande financiador de infraestrutura, não só do setor elétrico. A razão é muito objetiva: o banco é a fonte de financiamento a taxas que fazem sentido e propiciam condições adequadas de retorno, beneficiando a sociedade. Ele é suficiente para atender toda a demanda? Não. Com o desafio de melhorias em infraestrutura que o Brasil tem hoje, estamos falando de R$ 200 bilhões ao ano. Seria bom que mercado tivesse fontes comparáveis de captação de recursos.

Amcham: Como essa oferta poderia ser ampliada?
Britaldo Soares:
Estamos falando de financiamentos de 15 a 20 anos. No caso do setor de energia, o segmento de geração crescerá conforme a necessidade de luz elétrica. Em dez anos, será necessário algo em torno de 60 mil gigawatts (GW) de capacidade instalada nova. Certamente precisaremos agregar novos financiamentos. O balanceamento de recursos do BNDES e do mercado financeiro é fundamental para dar vazão a todos os projetos de infraestrutura, e não só os de energia.