Boeing investirá US$ 5 milhões em novo centro de pesquisa no Brasil, diz CEO

por andre_inohara — publicado 25/04/2012 17h42, última modificação 25/04/2012 17h42
São Paulo – Laboratório terá, entre suas atribuições, desenvolver tecnologia de biocombustíveis para aviação.
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A Boeing vai investir cerca de US$ 5 milhões em seu novo centro de pesquisas no Brasil, para o desenvolvimento de um biocombustível para aviação. Donna Hrinak, presidente da Boeing Brazil e ex-embaixadora dos Estados Unidos no País, afirma que o desenvolvimento de tecnologia é uma prioridade em sua companhia.

Sobre a situação da licitação de caças pelo governo brasileiro, onde a Boeing concorre com os aviões F-18, a executiva disse que a vinda desses jatos ao Brasil pode incentivar a criação de tecnologia local, “uma vez que avião evolui de acordo com a demanda dos clientes”.

Veja a entrevista da presidente da Boeing ao site da Amcham, realizada em São Paulo na terça-feira (24/04) após ela participar do ‘Seminário Seminário Oportunidades nas Relações Comerciais do Brasil frente à nova configuração dos blocos econômicos mundiais’.

Amcham: Qual a importância do desenvolvimento de tecnologia para a Boeing?

Donna Hrinak: Acho que inovação é a base para todo crescimento, especialmente no setor aeronáutico. As empresas aéreas estão sempre procurando aviões com maior tecnologia, seja em fibra de carbono ou outro substituto que venha a ser descoberto, em especial na eficácia de combustíveis.

Amcham: Poderia falar um pouco mais sobre o centro de pesquisa da Boeing no Brasil?

Donna Hrinak: O diretor chegará no fim de maio, e no primeiro ano o investimento deve ser em torno de US$ 4 milhões a US$ 5 milhões. Mas ainda estamos procurando parceiros e a prioridade do laboratório é o desenvolvimento de biocombustiveis. Para nós, é muito importante fazer mais pesquisas para saber exatamente qual é o produto com mais potencial, cana-de-açúcar ou não.

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Amcham: Como a sra. percebe o interesse pelo desenvolvimento de uma indústria de biocombustível para aviação?

Donna Hrinak: Vamos nos reunir com a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e a Embraer para analisar o interesse e agregar informações para a indústria de biocombustível de aviação no Pais. Ela não existe em nenhuma parte do mundo, não há nenhuma empresa que tenha como negócio principal a produção desse insumo para aviação. Teremos a oportunidade de criar a primeira indústria no Brasil.

Amcham: Em relação ao projeto de venda de aviões F-18 à Força Aérea Brasileira, houve algum avanço em relação à questão da transferência de tecnologia?

Donna Hrinak: A tecnologia que oferecemos ao Brasil é a mesma que nossos melhores aliados possuem. Entendo a importância da transferência de tecnologia, mas também estamos falando de desenvolvimento de tecnologia aqui (caso os aviões sejam escolhidos pelo Brasil). Avião não é uma coisa estática, evolui de acordo com a demanda dos clientes, e esse desenvolvimento pode acontecer aqui.

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