Boeing, Monsanto e Cummins apostam no longo prazo no mercado brasileiro

publicado 16/10/2015 11h16, última modificação 16/10/2015 11h16
São Paulo – Tráfego aéreo, agronegócio e demandas de infraestrutura sustentam projeções
donna-hrinak-3140.html

A despeito das projeções de queda da economia para o curto prazo, companhias globais como Boeing, Monsanto e Cummins apostam no mercado brasileiro para o longo prazo. O aumento no tráfego aéreo nos últimos anos, os bons resultados do agronegócio, as demandas de infraestrutura e o aumento do consumo ancoram as projeções as empresas, afirmam os CEOs das operações no Brasil.

Donna Hrinak (Boeing), Rodrigo Santos (Monsanto) e Luiz Pasquotto (Cummins) participaram do Seminário Brasil 2016 na Amcham – São Paulo na quinta-feira (15/10), debatendo as perspectivas políticas e econômicas para o país no próximo ano (leia mais aqui).

A projeção da Boeing é de vender 3.000 mil novos aviões para a América Latina até 2034, sendo mais de 40% para o Brasil. “O tráfego aéreo global cresceu, na última década, 5% ao ano, enquanto no Brasil houve índices de até 10%”, compara.

Os números para os principais clientes da Boeing no Brasil (Gol e TAM) tiveram efeito da crise econômica, esse ano, o que pode ocorrer também no próximo, comenta Donna. As aéreas reduziram a margem de lucro, mas o preço do combustível, em dólar, tem pesado. “Estamos trabalhando para capacitar pilotos para procedimentos que exijam menos combustível”, diz a CEO.

Apesar das boas expectativas em vendas de aviões, a presidente da Boeing faz ressalvas quanto ao mercado de defesa nacional, em que a companhia também atua. O governo vem atrasando projetos em virtude de cortes orçamentários, especialmente nas fronteiras e na segurança cibernética. “Estamos perdendo oportunidades e assumindo riscos”, declara.

Consumo e obras por fazer

A Cummins tem sentido os efeitos da crise econômica desde o ano passado, com queda sobretudo nas vendas para as fabricantes de caminhões, para as quais fornece motores. A retração foi de 14% no ano passado e de 50% neste.

Mas a companhia também vende máquinas para setores como agronegócio, petrolífero, marítimo, mineração e construção. “Há muita obra de infraestrutura por fazer e o consumo do brasileiro aumentou, nos últimos anos. Se há mais consumo, há mais gasto de energia”, comenta Pasquotto, sobre os motivos que tornam as expectativas de longo prazo da empresa positivas.

O aumento de produção agrícola pelo qual o país passou nos últimos anos e a projeção de contínua expansão sustentam os planos da Monsanto. Santos diz que o setor convive com ambiguidades, como o boom econômico e a precariedade na infraestrutura logística, por exemplo, que afeta a competitividade nos preços.

“Tenho que explicar toda semana à matriz o que está acontecendo com o Brasil”, cita, sobre a atual crise econômica. No curto prazo, a empresa realocou esforços e deixou o mercado de cana de açúcar para se concentrar no de soja, que deve ter recorde histórico na safra 2015/2016.

O executivo ressalta que a inovação tem sido a grande força do agronegócio e continuará a alavancar os resultados nas próximas décadas. “Nossa expectativa é aumentar a produção agrícola em 80%, nos próximos 30 anos, sem ampliar a área plantada”, afirma, sobre as projeções da companhia.

Seminário Brasil 2016

O Seminário Brasil 2016 discutiu as perspectivas políticas e econômicas para o país no próximo ano e ainda contou com as participações de Marcelo Kfoury Muinhos, economista-chefe do Citibank; Rafael Guedes, diretor da Fitch Ratings no Brasil; e Carlos Eduardo Lins da Silva, sócio-diretor da Patri Políticas Públicas.

Também participaram Antônio Britto Filho, presidente-executivo da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma); Wilson Ferreira Júnior, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB); e Nelson Fonseca Leite, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia (Abradee).