Bolsa eletrônica de energia Brix tem mais de 400 MWh negociados em apenas dois meses

por daniela publicado 28/09/2011 14h35, última modificação 28/09/2011 14h35
Daniela Rocha
São Paulo - Já são 48 as empresas participantes, destaca Marcelo Mello, seu presidente.
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A bolsa eletrônica de contratos de energia elétrica Brix (Brazilian Intercontinental Exchange), supera 400 megawatts-hora (MWh) negociados em seus primeiros dois meses de operação. Essa quantidade seria suficiente para atender 11 milhões de habitantes ou os moradores de uma cidade como São Paulo ao longo de um mês. Desde sua estreia no mês de julho, o número de empresas participantes tem apresentado contínua evolução e, hoje, são já 48.

Os resultados foram apresentados por Marcelo Mello, presidente dessa plataforma de transações, nesta quarta-feira (28/09) no comitê estratégico de Energia da Amcham-São Paulo.

“Esses números são muito positivos. Desde o lançamento, o volume de contratos tem sido muito bom. Ontem, inclusive, foi fechado pela primeira vez um contrato para o ano calendário de 2012, o que demonstra a confiança que o mercado está tendo na bolsa. Nos últimos dez dias, o número de empresas subiu de 40 para 48 e fomos contatados por novas companhias que deverão entrar nas próximas semanas”, disse Mello.

A Brix tem como acionistas os empresários Eike Batista, presidente do Grupo EBX, que atua nos setores de mineração, logística, energia, óleo e gás, e indústria offshore (com participação de 23,75%); Marcelo Parodi, CEO da Compass Energia (23,75%); Josué Gomes da Silva, CEO da Coteminas, do segmento têxtil (23,75%); e o economista Roberto Teixeira da Costa (5%). A única pessoa jurídica da composição, com uma fatia de 23,75%, é a IntercontinentalExchange (ICE), bolsa considerada líder mundial na negociação de contratos de commodities, com sede em Atlanta, nos Estados Unidos.

Transações

Atualmente, na bolsa de energia, 52% das operações são spot (curto prazo) e 48% de médio prazo. São três produtos negociados: contratos de energia convencional cotada a prêmio mais PLD (Preço de Liquidação das Diferenças, utilizado para valorar a compra e a venda de energia no mercado de curto prazo, calculado a partir de dados do Operador Nacional do Sistema); contratos de energia convencional cotada a preço fixo; e contratos de energia incentivada, proveniente de fontes alternativas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), biomassa, solar ou eólica, também a preço fixo. Os vencimentos são mensais, trimestrais, semestrais e anuais.

A equipe da Brix está trabalhando no desenvolvimento de um primeiro índice, o Brix Spot, que, conforme Mello, consistirá em uma média dos contratos de curto prazo de energia convencional (Prêmio + PDL) negociados no período de um mês e referentes às regiões Sudeste e Centro Oeste. “Esse é o mercado mais líquido por enquanto. Em dois meses, não tivemos negociações desse tipo de contrato em apenas quatro dias. Porém, ressalto que todos os produtos apresentam liquidez e poderemos lançar outros índices na sequência”, informou.

Nessa etapa inicial, os contratos são bilaterais (vendedores/ compradores) de liquidação física com registro na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Depois, na segunda fase, a  ideia é lançar produtos bilaterais com liquidação financeira (sem liquidação física), o que envolveria a participação de instituições financeiras, com necessidade de inscrição na CCEE. Em uma terceira fase, pretende-se implementar uma clearing, câmara que realizará a compensação multilateral das obrigações entre os participantes.

Amadurecimento de mercado

Segundo Marcelo Mello, a criação da bolsa preenche necessidades do mercado livre de energia no Brasil. “Há uma demanda por liquidez, segurança transacional e padronização jurídica, que agora a bolsa está trazendo”, destacou. Transparência e maior eficiência na formação de preços são outros benefícios que estão sendo proporcionados pela nova plataforma eletrônica de negociações. 

Mello avalia que a bagagem da ICE, com toda a experiência de tecnologia da informação aplicada, assim como suas práticas de governança corporativa, tem sido fundamental e amplia a atratividade da Brix. A ICE, que é grande operadora, está sob a regulamentação da SEC (Security Exchange Comission), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), dos Estados Unidos.

O executivo avalia que há uma tendência mundial de desenvolvimento de bolsas de energia elétrica - considerada uma commodity com características regionais.

Os maiores mercados são  Estados Unidos (ICE), Alemanha (EEX), Escandinávia (Nord Pool), França (Powernext), Holanda, Reino Unido e Bélgica (com APX e Endex), Espanha e Portugal (OMEL/Mibel), Nova Zelândia (NZEM), Índia (IEX) e Japão (JPEX).