Boston Consulting Group: produtividade no Brasil é baixa em relação a outros emergentes

por lays_shiromaru — publicado 16/04/2015 11h27, última modificação 16/04/2015 11h27
São Paulo – Pesquisa do grupo mostra que ganhos em produtividade no país é de apenas 22%, contra 89% na China e 83% na Índia
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Na última década, outros países emergentes apresentaram crescimento econômico e ganhos de produtividade muito mais elevados que o Brasil, mostra pesquisa do Boston Consulting Group. Quando analisados dois fatores fundamentais do crescimento do valor agregado, ganhos em mão de obra e produtividade, o aumento do número de pessoas empregadas representa 78%, enquanto a eficiência apenas 22%.

“O Brasil cresceu essencialmente na quantidade de empregados nos últimos 10 anos”, destacou Masao Ukon, sócio e diretor do grupo, no Seminário de Produtividade Brasileira, promovido pela Amcham-São Paulo em 16/04.

Em países como China, Índia, Rússia e Coreia do Sul, a produtividade tem mais relevância, representando 89%, 83%, 81% e 71% do crescimento econômico, respectivamente. “Não agir em relação a esses dados é não crescer. Precisamos aproveitar o momento de menor aquecimento da economia para mudar o foco para a eficiência”, diz.

No Chile e na África do Sul, que têm um quadro parecido com o do Brasil, os ganhos de produtividade representam 35% e 37%, respectivamente, enquanto o aumento da mão de obra 65% e 63%.

Ukon sugere que as empresas repensem os negócios nesse novo contexto e diz que esse é o momento certo para tomar decisões difíceis. “Deixo um convite para pensarmos nessa situação como uma oportunidade. Há uma necessidade de mudança profunda e uma probabilidade maior de aceitação dos stakeholders internos e externos”, explica.

O que as empresas podem fazer para aumentar a produtividade

Uma das recomendações do Boston Consulting Group para mudar o nível de eficiência das empresas é a simplificação do escopo organizacional. “Às vezes vemos empresas que têm oito ou nove níveis gerenciais, o que traz uma necessidade de alinhamentos múltiplos e aumenta tempo de resposta. Por outro lado, vemos casos de um gerente para um ou dois colaboradores, que traz uma questão de motivação”, relata.

Outra sugestão é a revisão de estratégias para aumentar a efetividade da força de vendas. “É preciso rever o quanto é possível vender com os mesmos custos e a mesma estrutura. Mapeando o tempo da equipe de vendas, notamos que mais de 50% do tempo do vendedor é perdido nos bastidores (escritório, avião, trânsito).” Otimização operacional e de capital também estão entre as recomendações do grupo.

Ukon alerta ainda que não existe uma receita de bolo. “Cada setor e empresa devem buscar as alavancas corretas e de maior impacto para seus negócios”, conclui. 

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