Brasil “surfa onda de otimismo” apesar dos riscos, segundo economista da LCA

publicado 03/08/2016 11h21, última modificação 03/08/2016 11h21
São Paulo – Para Celso Toledo, recuperação da confiança do consumidor e atividade industrial criam expectativa de aceleração econômica
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O economista da LCA Consultores, Celso Toledo, afirma que o Brasil está “surfando uma onda de otimismo” na economia em função do aumento da confiança no mercado, apesar dos riscos. “A impressão é que estamos surfando uma onda de otimismo. Se a confiança continuar se recuperando e evoluir conformes os últimos dados, teremos um crescimento acima do esperado nos próximos semestres”, disse, no comitê estratégico de CEOs e Chairpersons da Amcham – São Paulo na quarta-feira (3/8).

Para o economista, há uma dinâmica de crescimento que pode fazer o PIB do Brasil crescer em torno de 1,6% em 2017. “É bem maior do que o consenso de mercado, que está em 1%”, afirma. As variáveis mencionadas por Toledo são o aumento da confiança do consumidor e atividade industrial, que mostraram recuperação em relação aos meses anteriores.

De acordo com o economista, o mercado trabalha com a expectativa de o governo de Michel Temer se tornar efetivo a partir de setembro, o que seria bem visto pelos agentes econômicos. “A percepção que temos é que o mercado está dando o benefício da dúvida ao novo governo.”

 O otimismo também vem do fato de o Brasil passar por um contexto econômico de riscos com baixa probabilidade de concretização, que chamou de riscos de ‘cauda’. No campo externo, o que pode mudar essa percepção é uma desaceleração acentuada da China e dos EUA, que não deve acontecer, segundo Toledo.

Em um mundo onde a desaceleração econômica é global, os investidores vão procurar taxas de retorno maiores, como no caso do Brasil. “Já se começa a ter maior apetite por investimentos e o Brasil acaba surfando bem essa onda, apesar dos riscos”, afirma Toledo.

No cenário interno, Toledo considera que uma recuperação rápida virá do reaproveitamento da capacidade ociosa da indústria, que ficou alta em função da desaceleração econômica dos últimos meses. “Com esse excesso de capacidade, ter confiança é suficiente. E se o governo propõe um caminho para o país que faça sentido, o ânimo aumenta e gera um crescimento que realimenta o otimismo. Isso pode durar um ano, até acabar essa capacidade. A partir daí, são necessárias reformas efetivas.”