Brasil crescerá 3% em 2013 com mais investimentos e Selic deve cair para 6,5% ao ano, aponta economista do Santander

por andre_inohara — publicado 15/01/2013 16h29, última modificação 15/01/2013 16h29
São Paulo – Mercado doméstico aquecido puxará a economia em curto prazo, mas é preciso melhorar a infraestrutura e educação para garantir o crescimento dos próximos anos.
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O crescimento do Brasil parece estar assegurado em curto prazo, graças ao consumo em alta e a volta dos investimentos privados. De acordo com o Banco Santander, o PIB – Produto Interno Bruto – deve crescer 3% este ano, motivado pelo consumo ainda aquecido e a volta dos investimentos privados.

Além de estimular o investimento oferecendo condições atrativas nas PPPs (Parcerias Público-Privadas) e crédito produtivo barato, o governo deve continuar sua política de estimular o consumo via redução da taxa básica de juros. “A taxa Selic já está no menor patamar histórico (7,25% ao ano), e pode cair para 6,25% ao ano [em dezembro]”, estima Adriana Dupita, economista do Banco Santander.

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Nesse cenário, a taxa real de juros da economia brasileira (descontada a inflação de 5,8%) cairia dos atuais 2% para 1%. Com juros ainda mais baixos, o consumo deve ficar mais aquecido e obrigar a indústria a produzir mais, argumenta a especialista. Ela esteve no comitê de Finanças da Amcham-São Paulo desta terça-feira (15/01), onde apresentou as projeções do banco para a economia brasileira em 2013.

Conforme Adriana, parte do dinamismo se deve às medidas do governo para desonerar o setor produtivo em 2012 [reduções do spread bancário, da carga tributária sobre a folha de pagamento e da tarifa de energia]. Mas, para sustentar o dinamismo econômico em um horizonte de tempo maior, é preciso fazer mais.

Apenas o mercado aquecido não é suficiente para garantir crescimento sustentável, e por isso o País se arriscará a perder as conquistas econômicas em uma década, caso não melhore sua competitividade.

A produtividade tem que melhorar já, e os fatores chave para isso são acelerar a modernização da infraestrutura e aumentar a qualidade educacional da população. “Sem infraestrutura e educação adequadas, o Brasil não conseguirá elevar a taxa de crescimento médio”, afirma.

Investimento é a variável chave

O fator crítico para o crescimento sustentável do Brasil é o desenvolvimento da infra-estrutura logística, que incentivaria as demais indústrias. Para Adriana, o governo tem sinalizado ao setor privado condições mais atrativas nas PPPs, pelo menos no que se refere à modernização dos modais de transporte.

“O governo deu um passo importante na hora de fazer o plano de concessão de infraestrutura. Se os projetos de concessão de infra-estrutura e PPP (parceria público-privada) saírem do jeito que se espera, vai ajudar bastante”, afirma.

Outra forma que o governo achou para fomentar as obras modernizantes é dar crédito produtivo de longo prazo a juros baixos.

“A capacidade de emprestar do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – aumentou enormemente. São linhas de crédito fortemente subsidiadas, porque o banco cobra taxas muito baixas e o dinheiro que é captado para isso [pelo Tesouro] tem juros maiores”, segundo a economista.

Câmbio e inflação

Entre as projeções do banco para 2013, estão as de câmbio (R$ 2,25) e a inflação oficial medida pelo IPCA (6%). Para Adriana, o governo deve trabalhar para direcionar a taxa de câmbio em um patamar como o atual, favorável às exportações, mas sem causar pressão inflacionária (decorrente do encarecimento das importações e ajustes de contratos atrelados ao dólar).

Em relação à inflação, há uma tendência de o governo permitir que os preços subam até certo nível. “Se o consumo vai ser estimulado, então haverá um efeito colateral que é a alta dos preços”, comenta Adriana.

Para a especialista, o Banco Central (autoridade encarregada do controle inflacionário) deve trabalhar para que os preços flutuem entre 4,5% (centro da meta de inflação) e 6,5% (teto).

Economia fechada blinda Brasil da crise dos países ricos

Para Adriana, algumas das fragilidades econômicas brasileiras estão ajudando o País a enfrentar a crise do mundo desenvolvido. “Temos uma economia fechada, voltada para o mercado doméstico. Como o mundo cresce menos e o Brasil não é um país exportador, não fomos tão prejudicados. Mas isso não é bom”, exemplifica a especialista.

Isso porque, se o mundo não estivesse em crise, o Brasil pouco se beneficiaria do comércio com outros países. A baixa relação entre investimento e PIB no Brasil, outra medida de abertura econômica em relação ao exterior, também está blindando o País em um momento de exceção, acrescenta Adriana.

Para ela, o Brasil precisa estimular a chegada de capital estrangeiro, oferecendo estabilidade jurídica e retorno atrativo. “Sou da opinião de que é preciso deixar que o mercado determine a rentabilidade justa, porque cada setor tem um risco. E significa não ter regras de alto grau de conteúdo nacional [como no setor petrolífero] e não impor baixa rentabilidade em setores regulados [energia]”, detalha Adriana.