Brasil tende a superar 800 fusões e aquisições em 2011

por daniela publicado 14/06/2011 14h42, última modificação 14/06/2011 14h42
Daniela Rocha
São Paulo - País está no radar de investidores estrangeiros e são esperados recordes de operações nos próximos anos, afirma Acácio Alves, sócio da V2Finance.
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O Brasil apresenta condições para consolidar neste ano mais de 800 fusões e aquisições de empresas, patamar superior ao recorde registrado em 2010, de 726 operações. A expectativa é de Acácio Alves, sócio da V2Finance, consultoria que atua nesse segmento.

O País se destaca como um mercado promissor no radar dos investidores estrangeiros frente a desempenho ínfimo das economias tradicionais, especialmente Estados Unidos e Europa, que tendem a registrar crescimentos do PIB (Produto Interno Bruto) estimados de zero a pouco mais de um ponto porcentual em 2011.

“As fusões e aquisições continuarão batendo recordes atrás de recordes no Brasil nos próximos anos. Os fundos de private equity têm necessidade de rentabilizar o dinheiro dos cotistas; então, buscam lugares onde podem ter altas taxas de retorno”, afirmou Alves, que participou nesta terça-feira (14/06) do comitê de Finanças da Amcham-São Paulo.

O especialista em finanças ressalta que, quando se fala em fusões e aquisições de companhias, o Brasil está assumindo liderança na comparação com os demais países do BRIC (bloco que reúne também Rússia, Índia e China) por conta de menores riscos políticos e maior proximidade de cultura e fuso horário em relação ao mundo ocidental.  “Assim, os investidores estrangeiros estão mais dispostos a correr o ‘risco Brasil’ de corrupção e burocracia por taxas de retorno maiores”, comentou.

Questionado sobre os custos de oportunidade em um país onde a taxa básica de juros é elevada, Alves disse que “esse é um dos objetivos, ir para um lugar onde a economia cresce e as empresas conseguem dar rentabilidade maior de 12% ao ano”.

Evolução consistente

No primeiro trimestre de 2011, o País já registrou 167 fusões e aquisições, aponta levantamento da KPMG. Esse foi o maior número de operações no primeiro trimestre desde 1994, quando o estudo foi iniciado.


Neste ano, os setores que se destacam por essas transações são: tecnologia da informação (22); telecom e mídia (9); alimentos bebidas e fumo (8), seguros (7), instituições financeiras (6); metalurgia e siderurgia (6); produtos químicos e petroquímicos (5) e petróleo e gás (4), entre outros.


O País vem apresentando um movimento ascendente de operações, com recordes ano a ano, desde a instituição do Plano Real, ressaltou Acácio Alves. De acordo com ele, houve uma retração apenas no período da crise financeira internacional em 2008 e 2009, que ainda assim foi caracterizado por resultados significativos, respectivamente, 663 e 454 fusões e aquisições.

Preparação

Para aproveitar a onda de investimentos, as empresas brasileiras, especialmente as pequenas e médias (PMEs), devem se preparar. Por atuar nesse mercado há muitos anos, Acácio Alves explica que as companhias menores costumam ser a porta de entrada dos estrangeiros, que entram inicialmente como sócios majoritários, preservando uma participação de cerca de 20% dos proprietários vendedores, e, em quatro anos a cinco, buscam realizar oferta para a compra do total.

Dentre as medidas que precisam ser tomadas pelas PMEs para garantir atratividade, estão a eliminação das informalidades e a estruturação adequada de toda a parte contábil (balanços e demonstrações financeiras). Quando necessário, deve-se contratar uma empresa para prover assessoria, para que não restem dúvidas. Além disso, as organizações têm de criar uma política de governança corporativa, com a formação de um conselho de administração e um conselho fiscal.

“As pequenas e médias devem iniciar a profissionalização da gestão e o processo sucessório, o que não significa trazer formandos de Harvard, mas sim modificar rotinas de trabalho, garantindo maior transparência”, ensinou.

Cálculos

O método de Fluxo de Caixa Descontado (FCD) de avaliação dos valores das empresas é o mais aceito pelos investidores, destacou o sócio da V2Finance. Isso porque considera fatores como crescimento, desenvolvimento da margem de lucro, nível necessário de investimentos, riscos e valor do dinheiro ao longo do tempo.

Contudo, no caso das companhias abertas, é possível fazer outras análises de precificação com bases comparativas, que incorporam o valor de mercado (quantidade de ações X preço da ação), a dívida líquida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

Acácio Alves orientou, por fim, que as avaliações devem ser técnicas. “Quanto maior o distanciamento emocional da empresa, mais adequado será o valor calculado.” Nesse sentido, é importante discutir premissas como taxas de crescimento do negócio, preços projetados e custos com especialistas do setor, checando se são condizentes com o mercado.