Brasil não pode ser o país do agronegócio eternamente, diz ex-ministro Roberto Rodrigues

publicado 21/05/2018 17h16, última modificação 22/05/2018 15h52
São Paulo – Setor rural tem que se desenvolver junto com setor urbano, defende

O Brasil não pode depender só do agronegócio para se desenvolver, defende o ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, Roberto Rodrigues. O webinar está disponível para associados da Amcham neste link.

“Uma pergunta recorrente é se o Brasil será um país agrícola eternamente. A agricultura não quer isso, por que ela sabe que só terá sucesso se a indústria for eficiente antes e depois das fazendas. Queremos que a participação industrial e de serviços cresça no PIB brasileiro”, detalha, no webinar da Amcham-Brasil sobre o agronegócio na segunda-feira (21/5).

O agronegócio é o setor mais representativo da economia, com aproximadamente 24% do PIB brasileiro, e muito potencial inexplorado. “A agricultura, pecuária, floresta e pesca podem e vão crescer em vários produtos. Mas é imperioso que outros setores cresçam ainda mais e a nossa participação seja menor [diluída no total do PIB]”, reforça.

Uma forma de contribuir para o desenvolvimento conjunto é integrar o crescimento do setor rural com o urbano. “Um produtor rural, como eu, não pode produzir nada sem máquinas. E elas são fabricadas no setor urbano. Muitas coisas que o setor rural depende, como defensivos, agrônomos, crédito e seguro, são urbanos. O sucesso da agricultura é claramente dependente da atividade urbana”, argumenta Rodrigues.

Uma proposta integrada de competitividade do agronegócio foi desenvolvida em conjunto pela USP (Universidade de São Paulo) e representantes da agroindústria, revela o ex-ministro. O programa será entregue aos candidatos presidenciais.

Plano de desenvolvimento do agronegócio

Levando em conta a interdependência do setor urbano, o plano tem cinco pilares. Eles são divididos em:

1. Cenário macroeconômico e mundial

O primeiro ponto aborda a importância de reformas estruturais internas para aumentar a competitividade do agronegócio, como a previdenciária, fiscal e política. “São reformas importantes não só para a agricultura, mas também para o país”, destaca Rodrigues.

Outro tópico diz respeito às perspectivas globais de produção e consumo de alimentos até 2030. “É onde se define quem vai consumir e produzir o quê e identificar com clareza as oportunidades para o Brasil. E também saber o que é preciso fazer para alcançar o potencial”, define.

2. Políticas públicas setoriais

O segundo tópico diz respeito à melhoria de políticas setoriais para o agronegócio. Entre elas, modernização industrial, comercial, geração de renda e cooperativismo.

3. Gestão do agronegócio

O terceiro pilar contempla temas como assistência técnica, formação de gente e políticas de combate ao desperdício.

4. Produção sustentável

O programa inclui propostas de produção que respeitam as particularidades climáticas, culturais e fundiários de cada região brasileira. “Estamos olhando os biomas brasileiros considerando suas especificidades”, segundo Rodrigues.

5. Comunicação

O setor agropecuário considera importante melhorar o diálogo com a sociedade e comunicar melhor as ações do setor rural.

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