Brasil não precisa de incentivo. Precisa de reformas duradouras, diz Mansueto Almeida (Tesouro Nacional)

publicado 07/02/2019 18h21, última modificação 08/02/2019 17h06
Brasil – Secretário abordou perspectivas econômicas para mais de 500 executivos
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Que reformas o Brasil precisa para crescer de forma consistente? São aquelas que fazem a economia crescer devagar e sempre, como nos países ricos, responde Mansueto Almeida, Secretário do Tesouro Nacional. “Não gosto de planos de governo de incentivo a setores. Não gosto de plano de governo que visa crescimento de curto prazo.”

Estados Unidos e Inglaterra, por exemplo, não tiveram períodos de alto crescimento, compara. “Eles fizeram uma série de reformas e passaram mais de 60 anos crescendo quase que de forma consistente no pós-guerra.” Regras claras e estáveis são essenciais para isso, observa. “Para a gente ter a mínima previsibilidade de regras tributárias. Para ter segurança que não haverá aumento de carga tributária, para a gente ter segurança que o Brasil terá uma maior inserção com o resto do mundo”, continua.

As considerações de Almeida sobre a economia foram seguidas pelos mais de 500 executivos que foram ao nosso encontro de negócios Plano de Voo, no dia 7/2 em São Paulo. A íntegra da conversa com Almeida e outros líderes está disponível no Amcham Connect, plataforma exclusiva de associados da Amcham.

Uma reforma estrutural boa é aquela que cria estabilidade, indica o secretário. “O desafio do Brasil é esse. A gente precisa se preocupar muito menos com o que o governo pode fazer para o crescimento ser de 4% ou 4,5%, e muito mais com o que o governo pode fazer para deixar o empresário, de fato, investir com segurança”, disse.

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Parte da crise veio de decisões equivocadas de política setorial. Almeida cita o setor elétrico como exemplo. “Quando o governo tentou intervir no setor elétrico para ter energia mais barata mudou o marco regulatório, que ficou claramente inconsistente.”

Mudando regras para baixar artificialmente o preço de energia, o retorno das empresas foi seriamente comprometido. “O resultado disso foi que a gente fez uma série de investimentos que hoje não ficam em pé”, conta Almeida.

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Previsibilidade atrai investidores

O secretário conta que perguntou a um investidor estrangeiro o que mais o incomodava na hora de trazer recursos para o Brasil. A resposta foi: “Tem algo que não coloco no preço e que não consigo me planejar para isso. São as mudanças constantes nas regras tributárias do Brasil. Isso atrapalha meu planejamento de quinze a vinte anos.”

O investidor ainda disse que a carga tributária alta e complexa do Brasil pode ser colocada no preço do produto. Que, inclusive, é mais caro que nos Estados Unidos e França. Já a instabilidade regulatória...

Previdência é só o primeiro passo

Almeida é otimista quanto à aprovação da reforma da Previdência esse ano. Há apoio no governo, Congresso e estados para que isso aconteça. Mas é só o começo. “Para o Brasil crescer, a gente vai ter quer fazer muitas outras coisas. Nosso sistema tributário, por exemplo. Temos que dar mínimo de previsibilidade para o empresário. E se não há espaço para reduzir a carga tributária nos próximos dois anos, podemos avançar na diminuição da complexidade do sistema.”

Outra reforma importante é a da Educação. A agenda é de qualidade, para que o estudante saiba muito bem a língua portuguesa e matemática. E tenha capacidade de raciocinar e resolver problemas. “Porque o meu trabalhador, que vai chegar no mercado de trabalho daqui a vinte anos, vai entrar no sistema educacional nos próximos cinco ou seis anos. Se a gente não fizer uma revolução educacional nesse país nos próximos cinco ou seis anos, a gente vai comprometer nosso crescimento daqui a vinte anos.”

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