Brasil precisa avançar em planejamento estratégico voltado à educação

por daniela publicado 20/10/2011 11h02, última modificação 20/10/2011 11h02
Daniela Rocha
São Paulo - Para Ricardo Figueiredo Terra, diretor técnico do Senai, é fundamental investir mais em gestão, traçar metas e desenvolver indicadores de qualidade.
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Para que o Brasil se desenvolva de maneira sustentável, aproveitando mais oportunidades  no contexto global, é preciso avançar em planejamento estratégico na área de educação. Quem diz é Ricardo Figueiredo Terra, diretor técnico do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), que participou na terça-feira (18/10) do “Seminário Competitividade Brasil: Custos de Transação – Qualificação da Mão de Obra” na Amcham-São Paulo.   

Para o professor, é fundamental investir mais em gestão, traçar metas e desenvolver indicadores de qualidade.

Após o debate na Amcham, Terra concedeu a seguinte entrevista ao site da entidade:

Amcham: Está havendo maior envolvimento entre iniciativa privada, governos e instituições de ensino diante do quadro de escassez de mão de obra qualificada no País?
Ricardo Figueiredo Terra:
Diferentemente do passado, hoje os agentes estão trabalhando juntos. Há muito exemplos de parcerias de sucesso nesse novo estágio. É preciso atuar junto com as empresas, dentro de suas estratégias, para saber os planos de expansão, os lugares e as necessidades de profissionais.

Amcham: O sr. poderia dar um exemplo desse trabalho mais articulado?
Ricardo Figueiredo Terra:
Um dos casos é a chegada da Hyundai a Piracicaba, em São Paulo. O Senai está atuando com essa grande montadora de veículos há pouco mais de um ano. Toda estratégia da empresa foi aberta e todos os 2.500 trabalhadores que serão empregados passarão por treinamento do Senai com a devida antecedência. Recentemente, foi publicada uma entrevista com o diretor de Recursos Humanos da companhia em jornal local informando que a Hyundai não está tendo problemas de contratação porque os profissionais vêm sendo formados. Tudo está sendo feito de forma planejada.

Amcham: O Brasil deve agir com urgência na melhoria do nível educacional da população?
Ricardo Figueiredo Terra:
Durante muito tempo, a educação não foi considerada como instrumento de apoio ao desenvolvimento econômico, foi colocada em segundo plano. Digo isso com convicção, como educador. Mas, agora, a educação é vista como um instrumento importante para o País. Pena que essa percepção tenha sido tardia, mas antes tarde do que nunca. O Brasil tem plenas condições de estabelecer programas emergenciais e não perder essa janela que se abriu ao País de inserção em um contexto global, com uma economia mais forte.

Amcham: Mas é necessário um plano de longo prazo visando maior qualidade do ensino?
Ricardo Figueiredo Terra:
A educação, especialmente básica, tem de ganhar uma nova visão. Se ela passa a ser instrumento importante para o desenvolvimento econômico, precisa ter um planejamento estratégico. Há necessidade de se estabelecerem horizontes, indicadores, metas, compromissos e, fundamentalmente, gestão. Hoje, a coisa está solta. O governo federal já sinaliza com exames de verificação da qualidade. Isso precisa se intensificar, atrelado a uma ação de planejamento e condições de trabalho e qualificação do corpo técnico de docentes.

Amcham: O sr. acredita que poderia ser concedido algum tipo de incentivo às empresas que investem em treinamentos?
Ricardo Figueiredo Terra:
 Creio que os incentivos fiscais podem ser uma ação emergencial. Os governos têm recursos suficientes para isso, como o Via Rápida Emprego do governo do Estado de São Paulo (que oferece cursos básicos de qualificação profissional de acordo com as demandas regionais) e o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) do governo federal, que tem quantias expressivas que são suficientes para mobilizar esse processo de formação profissional.