Brasil precisa desenvolver ecossistema de inovação, diz Marcos Troyjo

publicado 02/06/2016 11h26, última modificação 02/06/2016 11h26
São Paulo – Professor da Columbia University (EUA) afirma que apenas redimensionar o INPI não é suficiente para resolver problema
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Se o Brasil quiser disputar a corrida da inovação com chances de estar entre os primeiros, terá que fazer muito mais do que redimensionar a atuação do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), afirma Marcos Troyjo, co-diretor do BRICLabs da Columbia University (EUA). “Caso o INPI seja redimensionado de modo a resolver suas dificuldades de orçamento e gente, o Brasil se tornará um país mais inovador? Não. Porque tão importante quanto criar uma ou outra infraestrutura, é melhorar o ecossistema geral da busca da inovação pelo Brasil”, disse, durante o lançamento da quarta edição do Relatório INPI da Amcham, que ocorreu terça-feira (31/5) na sede da Amcham – São Paulo. Clique aqui para acessar o relatório.

Gianna Sagazio, diretora de inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Marcos Vinícius de Souza, secretário de Inovação e Novos Negócios do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), também participaram do painel.

O ecossistema mencionado por Troyjo é formado por cinco elementos: centros geradores de conhecimento, como as universidades, financiamento da inovação (capital disponível), vontade empreendedora, quadro institucional de leis que favorecem inovação e um ambiente integrador que faz universidades e empresas trabalharem mais próximas.

O Brasil possui alguns desses fatores, mas eles não estão integrados. Entre os países emergentes, o Brasil é um dos que mais tem produzido conhecimento científico, exemplifica Troyjo. Em contrapartida, o relacionamento entre empresas e universidades no que se refere à pesquisa tecnológica é distante. “Na China, sete dólares de cada dez que são destinados à pesquisa e desenvolvimento vem do empresariado. No Brasil, são apenas dois dólares”, compara.

Para incentivar o desenvolvimento da inovação, a CNI criou o MEI (Mobilização Empresarial pela Inovação), grupo de empresários que se reúnem para formular propostas de desenvolvimento tecnológico. Entre as propostas, estão a diminuição do tempo de análise de registros de marcas e patentes para, no máximo, quatro anos (Atualmente, o processo demora mais de sete anos). Segundo Gianna, uma das formas de se fazer isso é estabelecer um acordo de cooperação técnica com os principais escritórios de marcas e patentes do mundo para acelerar o tempo de análise. “O MEI é um espaço de cooperação e reiteramos o interesse de trabalhar conjuntamente com o governo para desenvolver a inovação.”

Um acordo de PPH (Patent Prosecution Highway) com os Estados Unidos está sendo negociado pelo MDIC, afirma Souza. Atualmente, há um projeto de validação de exames de patentes entre o USPTO (Escritório de Marcas e Patentes dos EUA) e o INPI no setor de petróleo e gás. “O projeto inclui a análise de 150 patentes de cada lado. Ainda estamos efetuando o processo.”