Brasil precisa se reindustrializar, diz ex-ministro Pedro Parente

publicado 18/04/2016 11h35, última modificação 18/04/2016 11h35
São Paulo – Produtividade depende de políticas duradouras de comércio exterior, inovação e investimentos
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Para aumentar a competitividade brasileira, é preciso “reindustrializar” o Brasil em relação ao que ele sabe produzir melhor, defende Pedro Parente, presidente do conselho de administração da BM&FBovespa e ex-Ministro da Casa Civil e do Planejamento, Orçamento e Gestão. “A discussão sobre reindustrialização ganha foco em uma perspectiva de longo prazo. Queremos sim continuar exportando tanto produtos do agronegócio, como bens industriais e serviços. Mas, ao mesmo tempo, temos que fazer melhor com nossos parceiros criando oportunidades de negócios”, disse, durante o lançamento do programa Mais Competitividade da Amcham Brasil na sexta-feira (15/4).

Como exemplo, Parente cita o agronegócio, setor mais competitivo do Brasil. O ganho de produtividade pode ser obtido com políticas abrangentes de comércio exterior e de incentivo à produção de maior valor agregado. “É preciso desenvolver um consenso em torno de políticas de comércio exterior que permitam ao país beneficiar-se de suas vantagens comparativas, e ao mesmo tempo ampliar a produção interna de atividades relacionadas à inovação e aumento da produtividade.”

Com a inserção de tecnologias e processos mais eficientes, os produtos brasileiros vão se diferenciar no mercado, acrescenta Parente. “O desafio brasileiro está em agregar valor aos produtos e torna-los mais desejados do que simples commodities.”

Além disso, Parente cita que o emprego de tecnologia é um fator crucial para a produtividade. “O indicador de produtividade total dos fatores, que se refere ao melhor uso da tecnologia, tem sido baixo. O crescimento tem vindo da incorporação de mais quantidade de trabalho, e não de seu uso mais eficiente”, afirma.

  Para o ex-ministro, o Brasil precisa se expor mais ao comércio exterior. “Uma das saídas é incentivar o aumento da concorrência, e a importância de acentuar a reinserção do Brasil de forma mais ousada no fluxo de comércio internacional.”

A infraestrutura também é importante, e isso significa mais do que apenas construir estradas, portos, rodovias e ferrovias. É preciso atrair investidores oferecendo condições estáveis e justas. “Precisamos pensar com foco nos próximos vinte ou trinta anos no sentido de construir uma visão de futuro que permita aos investidores, sejam eles do agronegócio, da indústria ou serviços, se enxergar em um projeto de Brasil e concretizar os investimentos para tal.”

Em relação à iniciativa da Amcham, Parente disse que o programa Mais Competitividade tem o mérito de criar uma agenda que aponta “caminhos concretos” para a redução de ineficiências produtivas nos próximos anos.