Brasil tem “bolas de ferro” que puxam a competitividade para baixo, segundo AT&Kearney

publicado 20/04/2016 13h57, última modificação 20/04/2016 13h57
São Paulo – Mark Essle cita impostos, salários e infraestrutura inadequados como principais fatores
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O presidente da consultoria AT&Kearney, Mark Essle, chamou os impostos e salários elevados, a corrupção e a escassa infraestrutura de “bolas de ferro na perna” da competitividade brasileira – fatores que impedem as empresas de investir mais em capacitação e eficiência operacional. O executivo participou da apresentação do programa + Competitividade, da Amcham Brasil, na sexta-feira (15/4).

No evento, Essle apresentou dados comparativos da economia brasileira em relação a outros países. De acordo com a pesquisa da consultoria, a complexidade fiscal do Brasil é uma das piores do mundo. Dados do Banco Mundial, por exemplo, mostram o país na 177º posição dentre os 189 avaliados, gastando 2.600 horas para preparar, submeter e pagar impostos.

Essle observa que o governo é muito eficiente na arrecadação, mas as empresas estão no limite. “O maior desafio do governo é sair dessa situação sem aumentar os impostos. As nossas empresas não aguentam.”

Além disso, ponderou que os gastos públicos são mal direcionados. “70% da arrecadação vai para refinanciamento de dívida e previdência. Pagar gente que não está trabalhando. Sobra muito pouco para educação e saúde”, observa o executivo. Conforme dados da pesquisa, apenas 13% (8% para saúde e 5% para educação) vão para as duas áreas.

  A corrupção é outro grande entrave. O índice de percepção da corrupção no Brasil atingiu 69 pontos em 2014 e ficou à frente do restante dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China) e México. “Por incrível que pareça o Brasil não é o pior país do mundo em corrupção. Mas ela tem um custo muito pesado.”

Outro dado preocupante é o alto custo da mão de obra no Brasil. Em 2015, a produtividade do trabalho cresceu 2,6%, sendo 1% em eficiência e 1,6% do aumento de pessoal. “Houve crescimento porque teve mais gente, não porque trabalhou mais”, resume Essle. Para comparar, a China aumentou sua produtividade no trabalho em 9%, sendo 8,2% com eficiência.

A cultura de aumento salarial automático também é um dos fatores de baixa eficiência. “Muitos brasileiros não entendem que o aumento anual não é um direito adquirido. Para ganhar 10% a mais, precisa trabalhar 10% a mais.”

A infraestrutura escassa é “outra bola de ferro na perna”. O estoque de infraestrutura brasileira é o menor entre os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e países como EUA, Japão, Alemanha, Canadá, Itália, Espanha e Polônia. “Não é que falta infraestrutura no Brasil. É que não tem mesmo. A ponte e a estrada não vão cair, elas não existem”, lamenta.

Para mudar o quadro, é preciso começar pelo aumento da produtividade e inserção na economia global, os dois pilares do + Competitividade. “A competição é que vai acelerar o processo”, afirma Essle.

Veja abaixo a apresentação de Essle: