Brasil tem que “ter juízo” e escolher governo reformista de centro, diz Celso Pastore

publicado 23/03/2018 17h33, última modificação 28/03/2018 12h39
São Paulo – Governo “sem extremos” teria mais chances de sucesso na aprovação de reformas, segundo o economista

Para o economista Affonso Celso Pastore, fundador da AC Pastore & Associados e ex-presidente do Banco Central, os eleitores terão que “ter juízo” na eleição de outubro e escolher um governo “de centro” capaz de liderar reformas estruturais.

“Se esse país tiver juízo e eleger um governo de centro com agenda reformista, acho que há uma chance de colocar o país de novo na rota de crescimento econômico”, afirma, no seminário ‘Plano de voo – Aperte o cinto e prepare-se para decolar em 2018’, da Amcham – São Paulo na sexta-feira (23/3). Pastore dividiu o painel de debates com o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, que abordou o cenário eleitoral.

Candidatos que estão nos extremos do espectro ideológico não são os mais indicados para reconduzir o país ao crescimento, continua o economista. “Se for para qualquer um dos dois extremos, ou com o Bolsonaro (PSL) do lado direito, com aquelas ideias mirabolantes, ou com o Ciro (PDT), no erro que ele está cometendo sobre a reforma da Previdência, também será um desastre.”

Um governo reformista de centro traria estabilidade política e a volta dos investimentos. “Nesse caso, você não remove riscos, mas uma montanha de riscos”, enfatiza Pastore. “Sem essa montanha, o apetite por investir em capital fixo e gerar mais capacidade produtiva é muito maior. Agora, se você não tem esse governo de centro e sair para os dois extremos com visões não reformistas, o risco (de instabilidade) é grande.”

Isso porque o próximo governo terá a difícil tarefa de aprovar a reforma da previdência. “Essa é uma reforma extremamente impopular. Tem que ser feita no começo de um governo. Porque se não for feita, o lado fiscal não fecha. E se não fecha, o quadro de crise será muito mais feio do que pintamos”, defende Pastore.

Cenário político

Cortez, da Tendências Consultoria, estima que a eleição presidencial será marcada pela fragmentação. Na avaliação do cientista, os candidatos da situação (PMDB e PSDB) são impopulares em função do envolvimento de seus quadros em denúncias de corrupção na operação Lava Jato.

Por sua vez, a rejeição aos candidatos de esquerda, principalmente do PT, também é alta. A terceira força, formada por candidatos fora do eixo PSDB, PMDB e PT, podem surpreender, mas dificilmente ganharão. Entre eles, estão nomes como Jair Bolsonaro, Marina Silva, Joaquim Barbosa e Luciano Huck. “Ninguém acredita que ele não vai se candidatar”, comenta Cortez.

Nesse contexto, o grau de imprevisibilidade é alto. “Quando o eleitorado tem muita opção, o eleitor tende a surpreender escolhendo nomes que dificultam a previsibilidade do resultado final”, acrescenta.

A única certeza para Cortez é que o candidato vencedor terá que governar com muito apoio. “A agenda reformista é pesada e demanda muita capacidade de liderança política.”

Série Presidenciáveis na Amcham

Na Amcham, o ex-governador do Ceará e pré-candidato à Presidência do PDT, Ciro Gomes, defendeu a reforma fiscal como condição essencial para aumentar a competitividade da economia. Gomes foi o primeiro político a participar da série de debates com presidenciáveis “Seu País, Sua Decisão”, da Amcham, em 14/3.

A série que a Amcham promove com os pré-candidatos à eleição presidencial é apartidária e tem como objetivo fornecer aos associados um espaço democrático para debates de ideias e para apresentação da Agenda da Amcham a cada um dos convidados, contendo propostas do programa Brasil + Competitivo para a melhoria do ambiente de negócios no país.

A ordem dos encontros segue a disponibilidade de agenda dos pré-candidatos. Os próximos serão divulgados assim que forem confirmados. Acompanhe por aqui ou por nosso site www.amcham.com.br e participe das discussões sobre o futuro do país que queremos.