Brasil tem três “Belo Montes” de energia adormecida nos canaviais, diz Marcos Jank

publicado 12/09/2018 13h25, última modificação 17/09/2018 08h46
São Paulo – Sem políticas eficientes de produção, etanol brasileiro perde mercados na Ásia

Para Marcos Jank, CEO da Asia-Brazil Agro Alliance, o etanol brasileiro está perdendo mercados internacionais devido à falta de apoio do governo para o seu uso como fonte de energia. “Continuamos tendo três Belo Montes adormecidas nos canaviais, no uso de bagaço de palha”, disse, no comitê de Comércio Exterior da Amcham-São Paulo na terça-feira (11/9).

Jank compara o potencial total de geração de energia de biomassa como superior à da usina hidrelétrica de Belo Monte (PA). A terceira maior usina do país entrou em operação no ano passado, com capacidade de produção anual de 4,5 gigawatts (GW) de energia. O montante é suficiente para atender 60 milhões de consumidores.

Para o especialista, a rentabilidade do etanol foi prejudicada pela política de congelamento de preços da gasolina. Sem incentivos e investimentos, o produtor brasileiro deixa de plantar cana-de-açúcar (base do etanol) e o país perde competitividade. “Países que não pareciam ameaça, de repente se tornaram grandes exportadores. A Índia acabou de superar o Brasil como maior produtor mundial de açúcar. E as exportações da Tailândia e Paquistão crescem rapidamente”, diz Jank.

Ao contrário do Brasil, os produtores da Ásia são incentivados a produzir etanol. “O que está fazendo com que a Índia cresça é um preço de cana que é quase o dobro do preço aqui do Brasil. Existe um grande incentivo a substituir algodão, milho e outros produtos por cana de açúcar naqueles países”, argumenta o especialista.

Além da perda de competitividade, questões políticas também afetaram o produto brasileiro. Jank cita os casos da China e Japão. “A China adotou salvaguardas ao açúcar brasileiro, o que atinge diretamente o etanol. E o Japão recentemente entregou metade do mercado de etanol para os EUA, em um processo complicado de reclassificação desse produto. E a gente, que tinha 100% do mercado japonês de etanol, hoje só tem 50%”, lamenta.

Em abril, o governo do Japão afrouxou as exigências para o uso do etanol como matéria-prima de seus combustíveis, o que favoreceu os produtores americanos.