Brasil volta a crescer em 2013 e inflação deve ficar abaixo da de 2012, aposta economista

por marcel_gugoni — publicado 20/02/2013 17h22, última modificação 20/02/2013 17h22
São Paulo – Previsão é de que IPCA fique no menor valor desde 2009 e que haja retomada dos investimentos.

A economia brasileira vai voltar a crescer em 2013, sustentada por uma série de fatores que vão de retomada dos investimentos públicos e privados em infraestrutura, pacotes de incentivo ao consumo, manutenção da taxa de juros nos níveis atuais (7,5%) e controle mais forte da inflação. As previsões são do economista Douglas Uemura Nunes, da área de macroeconomia da LCA Consultoria. Para ele, que falou ao site antes de participar do comitê estratégico de Marketing da Amcham-São Paulo nesta quarta-feira (20/02), a inflação deve ficar abaixo da computada em 2012.

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A aposta é a de que a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) chegue ao fim de 2013 na casa de 5,4%. “Não vemos uma perspectiva de inflação no centro da meta nos próximos anos [de 4,5%], mas ainda dentro da zona de conforto do governo e do Banco Central”, afirma. O número seria o mais ameno desde 2009 – em 2010, o IPCA fechou o ano em 5,9%; em 2011, 6,5%; em 2012, 5,8%. 

Nunes atribui a maior contenção da inflação a fatores como a desoneração do custo da energia elétrica, que tem peso relevante na formação de preços no País. “E há medidas encomendadas [pelo governo da presidente Dilma Rousseff], como a desoneração da cesta básica, que atingem diretamente este item que tem um peso grande no consumo”, explica. 

Consumo 

Para o economista, o consumo interno do País deve continuar gerando resultados positivos em 2013, mesmo que em um ritmo mais modesto do que o observado nos últimos anos. “Nos últimos anos, cresceu o consumo de bens duráveis por conta de ampliação e melhor distribuição de renda, e maior formalização do mercado de trabalho. Hoje isso mudou”, avalia. 

O consumo das famílias, componente do Produto Interno Bruto (PIB), cresceu 6,9% em 2010 e vem perdendo velocidade – fechou 2011 com expansão de 4,1% e estimados 3,2% em 2012. A retomada da economia leve pode fazer com que a taxa suba para 3,7% em 2013, conforme a LCA. 

Investimentos 

A estimativa da consultoria é a de que o PIB de 2012, em fechamento, mostre avanço de 1%, mas os dados só serão divulgados em março. Em 2013, a aposta é de evolução de 3,5%.

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Os investimentos tanto do setor privado quanto do público devem avançar 7,7% neste ano. A formação bruta de capital fixo (FBCF) foi justamente o componente que puxou o PIB para baixo em 2012. 

O percentual de investimentos do País em relação ao PIB deve ser recuperar para os patamares de 2010 (19,5%) e 2011 (19,3%). Nunes diz que, em 2012, essa participação caiu a 17,8%. “Os investimentos devem voltar a ficar entre 19% e 20% do PIB. Não é tão difícil. Estamos só recuperando [da queda em 2012].” 

Entre os dados que apontam para essa retomada dos investimentos, estão o número de consultas de crédito junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e os aportes já aprovados. Entre 2011 e 2012, o volume emprestado saltou de R$ 71,2 bilhões para R$ 133 bi. 

“É um indicador que aponta para recuperação dos investimentos. A confiança do empresário também traz uma melhora, muito embora ainda seja um fator limitante por conta do cenário internacional”, analisa o economista. “Mesmo que lá fora não haja uma ruptura, o risco ainda vem da Europa e do chamado abismo fiscal dos Estados Unidos.” 

O especialista diz que há uma aceleração de projetos de Parcerias Público-Privadas (PPPs). “Existem 40 projetos em consulta contra 18 em execução”, afirma. Isso graças à desoneração de PIS/Cofins e IR sobre esse tipo de iniciativa, que reduz em quase 35% o valor das contraprestações pagas pelo setor público nas obras feitas por essa modalidade, além da possibilidade de os estados elevarem seu endividamento para viabilizar projetos. 

Competitividade 

Nunes reforça que ampliar os investimentos ajuda a endereçar questões de competitividade, como é o caso da agenda de licitações de portos, ferrovias, rodovias e aeroporto. Ele lembra também da desoneração da folha de pagamentos para 42 setores e da resolução do Senado Federal que visa a reduzir as alíquotas interestaduais do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). 

“São questões de competitividade que estão sendo tratadas, mas ainda há muito a se fazer”, afirma. “Um ponto de atenção é o do custo de mão de obra. Com desemprego chegando perto do piso e salário subindo, são fatores com que os empresários devem passar a conviver mais frequentemente.”