Câmbio e juros são maiores pontos de atenção para capital de giro no Brasil, avalia economista

por marcel_gugoni — publicado 09/02/2012 13h36, última modificação 09/02/2012 13h36
São Paulo – Dinheiro do dia a dia representa em torno de 30% a 40% do total dos ativos de uma empresa.
img_0580.jpg

O capital de giro de uma empresa é o dinheiro que ela tem no dia a dia para sustentar suas operações e enfrentar a dinâmica do fluxo de caixa, com a entrada de recursos a partir da venda da produção e a saída para pagamento de dívidas e compra de matéria-prima. No Brasil, duas coisas fazem do controle desse capital uma tarefa que requer bastante trabalho, principalmente das companhias que mantêm negócios com o exterior e portanto estão sujeitas a maiores variações nas entradas e saídas: o câmbio e a taxa de juros. 

“O capital de giro merece atenção da empresa por conta da oscilação da nossa economia. Tirando o risco operacional, os riscos financeiros no Brasil são os juros, que são altos, e o câmbio”, afirma o economista Hsia Hua Sheng, economista pela Universidade de São Paulo, doutor e mestre em administração com concentração em finanças pela FGV-EAESP com intercâmbio na New York University. 

Ele participou nesta quinta-feira (09/02) do comitê estratégico de Finanças na Amcham-São Paulo e conversou com a reportagem do site da Amcham após a reunião, que debateu “Gestão do Capital de Giro”. 

“Uma multinacional está ligada com a importação de produtos, matéria-prima e equipamentos e com a exportação de sua produção. Por questão básica, ela tem que ter o fluxo de caixa muito bem controlado devido à conversão de real para dólar e de dólar para real, por exemplo, e isso já afeta muito o resultado financeiro da empresa”, completou. 

Acompanhamento contínuo 

Para o economista, essa complexidade exige que o capital de giro precisa tenha acompanhamento permanente do administrador financeiro. 

Sheng estima que o capital de giro represente de 30% a 40% do total dos ativos de uma empresa, enquanto o capital permanente tem um peso maior sobre o total dos ativos (entre 60% e 70%). Mas o primeiro requer mais atenção que o segundo. 

“O capital de giro é o dia a dia do executivo financeiro”, afirma. 

Planejamento de dívidas 

Conforme o economista, a companhia que se endivida e é controlada com suas finanças vai mais longe do que a que não faz dívidas. “O planejamento é uma ferramenta que auxilia a gestão para alcançar o objetivo estratégico da empresa”, explica. 

“Tem que ser um planejamento detalhado, separando o que é parte operacional da empresa (compra, venda produção da empresa) do fluxo de caixa financeiro”, diz. 

Ele afirma que com esse tipo de planejamento a empresa consegue capitalizar as contas de seu dia a dia (curto prazo) com linhas de crédito de longo prazo. “Dá para fazer alguma captação mais de longo prazo que seja utilizada no curto com o apoio dos bancos locais”, avalia. 

A principal estratégia, para esses casos, é minimizar os custos de financiamento ao girar o estoque com a maior velocidade possível  e cobrar as contas a receber com a maior rapidez possível. 

Diz ele que a estratégia reduz o ciclo do que se chama de conversão de caixa (prazo desde o pagamento aos fornecedores até o recebimento com a venda do produto final), requer menos financiamentos e, por sua vez, menores custos de gestão do capital de giro.

Leia mais notícias sobre o assunto:

Sem conhecimento financeiro e operacional, médias e pequenas empresas correm risco de quebrar ao tentar crescer

Planejamento deve integrar gestão, finanças, inovação e estratégia

Vendedores precisam pensar a longo prazo

Quer participar dos eventos da Amcham? Saiba como se associar aqui

Veja aqui quais são as vantagens de ser sócio da Amcham