Canuto: falta de concorrência no Brasil favorece empresas ineficientes e com baixa produtividade

publicado 05/04/2016 15h59, última modificação 05/04/2016 15h59
São Paulo – Mercados protegidos e baixa exposição ao comércio exterior inibem concorrência, segundo o diretor do FMI
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Uma das causas da baixa competitividade brasileira é a falta de condições concorrenciais, de acordo com o diretor executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) para as Américas do Sul e Central, Otaviano Canuto. “No Brasil, a economia de mercado [onde os agentes econômicos sofrem pouca interferência governamental] não opera eficientemente. É por isso que muitas empresas ineficientes sobrevivem e a dispersão de produtividade é maior”, afirma o economista, no evento ‘A Competitividade e o Ambiente de Negócios no Brasil’ realizado na terça-feira (5/4) pela Americas Society/ Council of the Americas  (AS/COA) e Amcham.

Além da existência de mercados protegidos e baixa exposição do Brasil ao comércio exterior, Canuto menciona um estudo do FMI que revela que a escassez de infraestrutura é outro agravante para a economia brasileira. “O Brasil é campeão na dispersão de preços em seu território por falta de acesso a produtos básicos.”

Em comparação com a América Latina, o Brasil tem os piores indicadores de produtividade. Usando dados do FMI, o economista menciona que o desvio padrão estatístico da produtividade do trabalhador brasileiro é em torno de 0,24 no Brasil. “No caso do Chile é 0,18, assim como na Colômbia, México e Peru (três dos países mais competitivos da região)”, compara.

 

Sem condições plenas de concorrência, o Brasil não vai ganhar produtividade. “É a pressão de mercado que leva as empresas a dedicar mais recursos, na margem, à melhora de sua qualidade individual”, detalha.

Para aumentar a produtividade do país, é preciso seguir uma agenda de reformas com “três pontos e meio”. A primeira é a reforma do sistema educacional que privilegie a capacitação pessoal e inovação, e investimentos em infraestrutura com participação do setor privado, com regras estáveis.

A reforma do ambiente de negócios que contemple uma economia mais aberta à concorrência também é uma delas. “A meia reforma é a fiscal. Revisar o gasto público para cortar os que não se justificam, para conseguir fôlego no futuro para baixar a carga tributária.”