Ciência Sem Fronteiras e Plano de Logística demonstram que Brasil acelera medidas para aumentar produtividade, analisa presidente e CEO da DuPont para América Latina

por andre_inohara — publicado 20/08/2012 12h07, última modificação 20/08/2012 12h07
São Paulo – Eduardo Wanick, que também é presidente do Conselho da Amcham, destacou ainda a importância de se compartilhar conhecimento sobre inovação para acelerar o avanço nessa área.
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Com programas como o Ciência sem Fronteiras e o Programa Nacional de Investimentos em Logística, anunciado em 15/08, o governo brasileiro sinaliza entender a necessidade urgente de acelerar a produtividade da economia.

“[Esses pontos] demonstram que o senso de urgência está aumentando, felizmente. É importante reconhecer quando o governo acerta", disse Eduardo Wanick, presidente e CEO da DuPont para a América Latina e presidente do Conselho da Amcham.

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Wanick destaca a relevância de compartilhamento de conhecimento sobre inovação para que o tema avance de forma mais acelerada no País. Leia a entrevista concedida por ele ao site da Amcham após participar do seminário “Inovação e a Competitividade Brasileira”, realizado em 16/08 pela Amcham-São Paulo.

Amcham: Durante o seminário, o sr. mencionou a importância de fóruns para compartilhamento de experiências de inovação no setor privado. Nessa linha, a Amcham vem promovendo periodicamente eventos voltados ao tema. Como o sr. vê a relevância desse tema junto ao setor privado nos últimos anos?

Eduardo Wanick: [Os fóruns são] Muito importantes para compartilhar conhecimento. Crescer através da inovação não é uma área na qual o Brasil se destaque, e precisamos aprender com exemplos de sucesso.

Amcham: Como está a predisposição do setor privado em criar uma agenda conjunta de inovação com governo, academia e – eventualmente – instituições internacionais?

Eduardo Wanick: Começando a melhorar. O primeiro passo é gerar uma maior convicção nas empresas brasileiras de que é possível gerar crescimento lucrativo através da inovação.

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Amcham: O sr. mencionou que o Brasil precisaria multiplicar por 30 sua capacidade de inovar para balancear os indicadores de contribuição para o PIB e para os registro de patentes no mundo? Esse salto é viável? Em que prazo?

Eduardo Wanick: É viável no longo prazo com muitas melhorias, como demonstrado pelos exemplos da Coreia do Sul e da China. No curto prazo, já é possível fazer um grande progresso dobrando ou triplicando a intensidade da inovação na nossa economia.

Amcham: As economias ricas da Europa e também os EUA estão passando por um processo de ajuste, decorrente da estagnação ou do pouco crescimento econômico. Quando a crise passar, há quem diga que essas nações estarão mais fortes e competitivas. O sr. concorda com isso?

Eduardo Wanick: Sim, creio que a Europa, em particular, não desperdiçará essa oportunidade para ajustar suas economias à nova realidade, onde mais competitividade é necessária e onde a demografia desfavorável gera uma natural pressão adicional sobre os orçamentos dos governos.

Amcham: Diante desse cenário, o sr. vê no governo senso de urgência em acelerar o processo de desenvolvimento tecnológico?

Eduardo Wanick: Creio que o programa Ciência sem Fronteiras é uma boa evidência de que o governo Dilma está empenhado nisso. Antes tarde do que nunca. O anúncio dessa semana [13 a 17/08] sobre investimentos em infraestrutura [o plano de logística e transportes do governo prevê concessões de estradas e ferrovias à iniciativa privada], apesar de não relacionados a tecnologia e inovação, também demonstra que o senso de urgência está aumentando, felizmente. É importante reconhecer quando o governo acerta.

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Amcham: As pequenas e médias empresas se queixam da falta de um ambiente mais estimulante de inovação, em função da burocracia excessiva na formalização de empreendimentos e da falta de crédito. Como o governo e o setor privado como um todo podem ajudar a melhorar o ambiente de negócios para esses segmentos?

Eduardo Wanick: A burocracia realmente é um entrave e, em geral, um tremendo estorvo na nossa cultura. Enquanto isso não muda, é importante compartilhar os exemplos de sucesso em criar crescimento sustentável [em todos os sentidos, inclusive o do lucro] através da inovação, apesar dos entraves. O seminário da Amcham demonstrou, por parte de todos os setores, uma grande boa vontade em ajudar as pequenas e médias empresas a inovar.

Amcham: Como o respeito aos critérios de sustentabilidade influencia a agenda de inovações tecnológicas nas empresas?

Eduardo Wanick: A necessidade de um crescimento mais sustentável para acomodar os anseios dos bilhões de novos consumidores em mercados emergentes em um planeta com recursos e meio ambiente finitos cria um campo muito amplo para a inovação.

Amcham: Como foi para a DuPont o desafio de trazer o desenvolvimento da inovação, antes concentrado nos EUA, para a América Latina?

Eduardo Wanick: Foi um processo complexo, mas muito exitoso. O segredo foi a adoção de um Processo de Inovação bem disciplinado.

Amcham: O que o sr. pode adiantar sobre os próximos projetos de inovação tecnológica da DuPont?

Eduardo Wanick: Continuaremos inovando nas nossas áreas tradicionais e, com a recente aquisição da Danisco, aumentaremos a prioridade da inovação na área de alimentos. Aguarde novidades...

Nota da redação: em janeiro de 2011, a DuPont adquiriu a indústria dinamarquesa de ingredientes alimentícios especializados e enzimas Danisco por US$ 6,3 bilhões. Com a operação, a DuPont se tornou líder global em biotecnologia industrial em alimentos.