ClimaTempo: chuvas irregulares vão afetar produção das hidrelétricas até 2015

publicado 23/04/2014 14h01, última modificação 23/04/2014 14h01
São Paulo – Meteorologista Patricia Madeira prevê períodos alternados de excesso de chuva e estiagem
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A produção de energia hidrelétrica, comprometida este ano pela falta de chuva, vai continuar problemática em 2015. “A irregularidade de chuvas, com momentos de excesso seguidos de estiagem, tende a se repetir no ano que vem”, disse a meteorologista Patricia Madeira, diretora executiva da ClimaTempo, na reunião do comitê de Energia da Amcham–São Paulo, da quarta-feira 23/4 (confira a apresentação completa aqui).

Patricia explica que uma anomalia climática chamada Oscilação Decadal do Pacífico (ODP) está por trás da imprevisibilidade de chuvas. “Quando estamos no auge dela, ocorrem irregularidades de chuva no hemisfério sul, de forma geral – Brasil incluso.”

A ODP é um fenômeno que dura de 25 a 30 anos e alterna períodos de aumento e queda de temperatura, que se reflete em anos secos e chuvosos. “A última ODP começou em 2000. No meio desse período ele chega ao seu auge, e é quando ocorrem quatro anos de irregularidade pluviométrica.”

O período de instabilidade mencionado por Patricia vai de 2012 a 2015. “O ano que vem tende a não ser favorável à chuva, mas em 2016 tudo deve se resolver.” A meteorologista descarta a hipótese de racionamento de energia, mas afirma que a oferta de energia hidrelétrica continuará baixa, pressionada pelo clima desfavorável.

“Vamos entrar no próximo verão com reservatórios muito baixos e sem expectativa de volume maior que o normal para reversão. Não posso falar de racionamento agora, porque as previsões precisam se concretizar”. Para reverter esse quadro, seria necessário chover “duas ou três vezes acima da média anual”, detalha a meteorologista.

Com a estação chuvosa praticamente no final (novembro a abril), o nível dos reservatórios hidrelétricos da região Sudeste não está nem na metade da capacidade total. O volume atual está em 37,7% da capacidade, e deve se manter nesse patamar. “Se chegar em 39% será um grande avanço.”

A situação para 2015 não é das mais confortáveis, estima Patricia. “Para novembro, a expectativa é que os reservatórios estejam em 10% a 15% da capacidade.” Há uma previsão de chuvas consistentes em outubro no Sudeste, segundo Patricia. “Ela não terá efeito no setor elétrico, mas as pancadas de chuva serão boas para a agricultura.”

A seguir, a íntegra da apresentação da meteorologista Patricia Madeira, da ClimaTempo, no comitê de Energia da Amcham–São Paulo, realizado na quarta-feira (23/4):