Com impactos em todas as áreas da empresa, gestão de compras reduz custos e aumenta o lucro

publicado 01/10/2014 16h00, última modificação 01/10/2014 16h00
São Paulo – Comitê de Logística discutiu suporte à atividade de compras estratégicas, com o case da Avon
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Para gerar economia de valor, as empresas normalmente vendem mais, gastam menos ou otimizam o uso do capital. Em qualquer uma das alternativas, a gestão de compras pode ser o gatilho para reduzir gastos e aumentar o lucro, afirma Claudio Mitsutani, diretor presidente da Atman Consultoria Empresarial e da Procurement Business School (confira aqui a apresentação completa) .

Ele esteve no comitê aberto de Logística da Amcham – São Paulo, quarta-feira (1º/10). Marcelo Frias, diretor de Logística da Avon para América Latina, também participou, abordando como projetos de logística apoiam a área de compras da companhia na América Latina (confira aqui a apresentação completa).

Mitsutani afirma que a gestão de compras provoca impactos sobre todas as demais áreas de uma companhia. “No mundo competitivo de hoje, quanto melhor sua compra, melhor sua venda”, justifica.

Segundo o consultor, é preciso esforço de vendas maior que os empreendidos para reduzir custos em contratos para gerar o mesmo lucro líquido.

O caso da Avon

Na Avon, o setor de logística desenvolveu projetos específicos para suportar a área de compra, com o objetivo de baixar custos para suas cinco fábricas na América Latina (Brasil, México, Colômbia, Venezuela e Argentina). De acordo com Marcelo Frias, em 2014, os custos logísticos da região devem fechar em US$ 110 milhões.

A Avon não faz estoque e compra sob demanda. A maioria dos planos consiste em consolidar cargas, sobretudo as provenientes da China. “Decidimos consolidar os contêineres e direcioná-los a apenas cinco portos, em vez dos 21 anteriores”, diz.

Com isso, de 147 rotas, a equipe passou a gerenciar 35. E contêineres que antes embarcavam com espaço sobrando, agora partem cheios. “Diminuiu-se o inventário em trânsito”, destaca.

Outra solução foi ampliar as opções de transporte a partir de Los Angeles, para onde também seguem cargas adquiridas da Ásia. Com mais modais, ampliaram-se as possibilidades de prazo.

A companhia contrata uma empresa especializada em inspeções para avaliar a carga antes do embarque, ainda em solo chinês. A rejeição à mercadoria desembarcada nas unidades latino-americanas é menor que 1%, ressalta o executivo.

No Brasil, a empresa também consolida cargas de fornecedores que seguem para a Argentina. A estratégia permite adiantar os serviços aduaneiros quando todo o volume ainda está concentrado, em um único endereço da Grande São Paulo. “Eles passam em Uruguaiana com todo o serviço já feito, apenas mostrando os documentos”, explica.

Na prática

Esse tipo de ação, na gestão de compras, demanda profissionais especializados e um trabalho de relacionamento junto aos fornecedores, pontua Claudio Mitsutani. “É necessário alinhar expectativas com os fornecedores”, comenta.

O consultor alerta que as estratégias de compras podem mudar de acordo com os desafios que o contexto econômico apresentar. Ele lembra que, no Brasil, a vigência do E-Social e as leis sobe terceirização também influenciam a área. “Há mudanças de legislação e controle, sobretudo ligados a terceiros. Cada vez mais a responsabilidade vai ser maior para as grandes contratantes”, analisa.

“A tendência para os próximos anos é criar redes locais ou regionais de abastecimento, nos mercados emergentes. Para isso, temos de ter ferramentas de suporte para essa estratégia”, diz.

A seguir, a íntegra das apresentações de Claudio Mitsutani, da Atman Consultoria, e  de Marcelo Frias,  da Avon, no comitê aberto de Logística da Amcham - São Paulo, quarta-feira 1º/10: