Transportes

Com mais ferrovias, Nordeste poderá desenvolver novos negócios, diz gerente da Transnordestina

por andre_inohara — publicado 04/08/2011 10h58, última modificação 04/08/2011 10h58
André Inohara
Recife – Segmentos pouco explorados por falta de logística, como o de gesso, se tornarão viáveis devido à queda dos custos de produção.
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O desenvolvimento do modal ferroviário no Nordeste reduzirá o tráfego nas rodovias e possibilitará o desenvolvimento de novos negócios na região. Para Miguel Angelo Barroso Andrade, gerente de negócios da Transnordestina Logística, a ampliação da malha ferroviária viabilizará a exploração de gipsita, minério usado para a fabricação de cimento, gesso e corretivos agrícolas.

Andrade participou nesta sexta-feira (05/08) do evento Competitividade Regional em Recife e concedeu entrevista ao site da Amcham. Acompanhe:

Amcham: Que oportunidades a Transnordestina vê em relação ao desenvolvimento de infraestrutura logística em Pernambuco?
Miguel Andrade:
Somos uma concessionária de ferrovias na região Nordeste, e administramos uma malha de 4 mil quilômetros (km) de extensão. Estamos construindo uma ferrovia, a Nova Transnordestina, que será responsável pelo escoamento de produtos a granel no sul do Piauí, sudeste da Bahia e sudoeste do Maranhão para os portos de Pecém (CE) e Suape (PE). A construção de uma ferrovia é um fato real. Construiremos em bitola larga (sistema usado nas novas ferrovias), o que também é um grande desenvolvimento.

Amcham: Que setores tendem a se beneficiar mais com a ampliação ferroviária na região?
Miguel Andrade:
Pernambuco é um grande detentor de jazidas de gipsita (matéria-prima do gesso). É um negócio que não se desenvolve por falta de logística. Com a Nova Transnordestina, esse segmento pode se desenvolver ao aumentar a exploração desse insumo, trazendo mais divisas para o Estado.

Amcham: Poderia dar mais detalhes?
Miguel Andrade:
A cadeia de exploração vai desde a mineração até a calefação, o processo de beneficiamento do minério em pó de gesso ou placas dry wall (tecnologia que substitui as vedações internas convencionais) para a construção civil. Também haverá muitas oportunidades para o desenvolvimento de gesso agrícola, insumo usado como corretivo de solo.

Amcham: Como o transporte ferroviário pode interagir com os outros modais?
Miguel Andrade:
Temos estudos de impacto financeiro que não podemos divulgar, porque somos uma companhia aberta (a Transnordestina é uma das empresas da Companhia Siderúrgica Nacional). Posso dizer que, em termos logísticos, a construção da malha ferroviária tirará uma parcela significativa do tráfego do modal rodoviário. Isso gerará custos menores para as empresas que se utilizarem das ferrovias.