Empresas organizam área de finanças como prestadora interna de serviços

por andre_inohara — publicado 10/10/2011 15h13, última modificação 10/10/2011 15h13
São Paulo – Estratégia permite otimizar resultados, mostrou sócio da KPMG.
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Em algumas empresas, os departamentos financeiros começam a ser tratados como organizações internas e de estruturas próprias, para produzir resultados melhores.

Esse trabalho é facilitado quando a ênfase da função financeira sai do nível de execução de processos para a prestação de serviços, disse o sócio de Management Consulting da KPMG, Fernando Aguirre de Oliveira Junior.

“Uma abordagem gerencial com foco na melhoria contínua de processos (BPI, na sigla em inglês) é uma oportunidade de revisão do negócio, ao buscar o desenvolvimento de processos mais eficazes”, comentou Oliveira em participação no comitê de Finanças da Amcham-São Paulo nesta segunda-feira (10/10).

EGE

Uma das formas de promover excelência de serviços é trabalhar com o conceito de Empresa Global Estendida (EGE). Ele consiste em criar uma estrutura centralizada de serviços administrativos (finanças, RH ou vendas, por exemplo) para atender a todas as unidades corporativas, que vão da execução de processos rotineiros até a formulação de estratégias.

O sistema EGE consiste na comunicação integrada entre as filiais de uma empresa e sua unidade centralizada, chamada de Serviços de Negócios Globais (GBS, na sigla em inglês).

A GBS executa as necessidades das unidades de negócios, que também alimentam a central com diretrizes e estratégias de longo prazo, e consequente demanda por recursos.

As projeções servem para que a central formule métricas de desempenho que as filiais tenham de cumprir rumo ao objetivo dado, para dar mais transparência ao processo.

Dentro dessa perspectiva, a central de serviços é reforçada com perfil estratégico. Ela não só se responsabiliza pelos serviços de apoio, mas também pela geração de resultados.

“Estamos falando de uma visão onde a função financeira (tesouraria, contas a pagar e receber), por exemplo, é trabalhada como prestadora de serviços que atende a um cliente externo”, explica Aguirre.

Na visão de EGE, o serviço prestado pela área corporativa deve se reportar diretamente à alta direção. Aguirre ressalta, no entanto, que cada empresa tem necessidades e visão de negócio próprias, que podem acomodar ou não uma gestão dessa natureza.

Segundo a consultoria KPMG, quando se desenvolve uma visão de negócios interna, a organização ganha vantagem competitiva, serviços de alto valor agregado e adaptáveis a diversas situações.

Aprimoramento de gestão de caixa

No Grupo Accor, a opção pela centralização de serviços financeiros permitiu à rede hoteleira melhorar sua gestão de caixa. Em 2008, o grupo criou o Centro Administrativo Financeiro para concentrar a rotina administrativa de seus hotéis.

A centralização fez parte da decisão de reestruturação do grupo, iniciada em 2007. “Se não mudássemos, não conseguiríamos suportar o crescimento dos próximos anos”, disse Cláudio Taka, gerente de Tesouraria da Accor.

Antes da centralização, a divisão hoteleira do grupo não estava acostumada a gerenciar o caixa de seus hotéis, uma vez que a matriz sempre garantia os recursos, conta Taka.

Com a centralização, foi necessário criar um sistema interligado que reunisse todas as informações de pagamento e recebimento dos hotéis. A gestão mais ativa do caixa permitiu ao grupo identificar oportunidades de aplicações financeiras e controle de saldos bancários.

Em setembro de 2009, o saldo médio do grupo nos bancos era de R$ 4,9 milhões, quantia que baixou para R$ 1,8 milhão em abril de 2011. “Era um saldo que ficava em conta sem remuneração”, observa Taka.

A meta é reduzir em cerca de 40% o saldo até o final de março de 2012. “Ainda há alguns ajustes de sistema, mas acredito que, até 2012, estaremos com esse objetivo alcançado”, avalia o gerente da Accor.

Além disso, o grupo também melhorou a rentabilidade de suas aplicações financeiras. No segundo semestre de 2009, a taxa média da carteira de ativos da Accor rendia 101% da taxa over CDI. No primeiro semestre de 2011, a remuneração das aplicações subiu para 103,8%.

“Com a melhora da função financeira, pudemos acompanhar diariamente a rentabilidade do mercado e melhoramos os retornos médios”, afirma.