Com nova lei de capital estrangeiro, setor de saúde é visto como promissor pelo mercado

publicado 01/10/2015 14h04, última modificação 01/10/2015 14h04
São Paulo – Seminário da Amcham reuniu players para discutir desafios e oportunidades do setor
capital-foto01.jpg-5602.html

Mesmo com desafios de gestão, dívidas crescentes de entidades como as Santas Casas, redução de leitos e acesso desigual à tecnologia pelas regiões do país, o setor de saúde no Brasil é visto com bons olhos pelo mercado. A nova lei que permite investimento estrangeiro no setor e fato de uma expressiva parte da população (75%) ser atendida somente pelo SUS são fatores que fazem desse um mercado em potencial.

“O mercado de saúde está em grande ebulição, não só com oportunidades para fundos, mas para parcerias estratégicas também”, declara Brenno Raiko, diretor da Advent International, gestora de private equity.

Ele participou do Seminário Competitividade Setorial Saúde da Amcham – São Paulo, quarta-feira (30/09), ao lado de Suzi Hong Tiba, sócia do escritório PK Advogados, e de Marcos Boscolo, sócio e líder para o setor de saúde da KPMG. Também participaram dos debates Eliana Tameirão, gerente geral da Genzyme; Carlos Marinelli, presidente do laboratório Fleury, e Claudio Schvartsman, vice-presidente do Hospital Albert Einstein. 

Leia aqui para saber mais do panorama do setor de saúde no país.

Sancionada em janeiro, a lei 13.097/15, que abriu o setor para o capital estrangeiro, é o grande motivador desse movimento, mas os resultados práticos, como uma maior oferta nos serviços, deve vir ao longo prazo, avalia Raiko.

De imediato, a nova legislação trouxe segurança jurídica para empresas e investidores, diz a advogada Suzi Hong Tiba, que também acredita em mudanças estruturais ao longo prazo, também em investimento em tecnologia, mão-de-obra, gestão hospitalar e parcerias público-privadas. “Em termos jurídicos, o mercado está preparado”, afirma.

Desde a sanção da lei já houve operações de grupos estrangeiros adquirindo participação societária em hospitais e empresas de assistência à saúde. Empresas maduras, em crescimento e consolidadoras de mercado são as que representam os bons ativos na mira dos fundos. “Nós as ajudamos a alavancar serviços e capturar parte do estrangulamento do setor público. A maior oportunidade é capturar as demandas para prover serviços,” explica Raiko.

O que ainda precisa ocorrer é o preparo interno das empresas que eventualmente possam receber investimentos, muitas familiares, especialmente no quesito governança, adverte Suzi.

Oportunidades

Uma das movimentações do Advent International, recentemente, foi a compra de 13% do grupo de diagnósticos Fleury. “Quem tem dinheiro no mundo para aplicar em saúde está vindo ao Brasil”, diz Carlos Marinelli, presidente do grupo. “O dólar ode estar a R$ 4, mas o país vai continuar precisando de saúde”, complementa.

Há tendências mundiais que podem se aplicar ao Brasil, diz Marinelli, como os exames de sangue rápidos, a partir de três gotas de sangue, que não requerem o pedido médico. Nos EUA, o laboratório Theranos fez parcerias para instalar seus postos de coleta nas farmácias Walgreens.

Ao mesmo tempo em que a tecnologia se desenvolve de forma revolucionária, a relação dos indivíduos com a própria saúde é constante e frenética, ressalta o executivo. “Trata-se de tecnologia disruptiva. A discussão é ‘o que faço com essa informação?’. Pode-se usá-la para o bem e para o mal”, comenta. “O diagnóstico e a conduta clínica são preponderantes”, cita.

Uma das direções em que ele aponta é o cruzamento de informações do paciente por meio dos exames realizados no laboratório. Segundo Marinelli, isso já é feito pelos 1.700 médicos de suas 150 unidades espalhadas em sete regiões do país. O resultado é enviado ao médico do paciente já com uma avaliação.

Para Marinelli, a prática vai ao encontro da chamada medicina em quatro P’s (personalizada, preventiva, preditiva e participativa), que utiliza recursos tecnológicos como o mapeamento genético para a prevenção de doenças, num atendimento personalizado.

“Mais do que dar laudos, conectamos as informações e produzimos conhecimento, o que ajuda o médico a ser mais efetivo no diagnóstico e na terapêutica. Isso ajuda a sustentabilidade do setor, que pode ser mais igualitário”, defende.