Economia deve melhorar somente no segundo semestre de 2015, diz economista

publicado 08/12/2014 16h00, última modificação 08/12/2014 16h00
Recife – Para Écio Costa, retomada deve ocorrer após ajustes realizados no início do ano
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A economia em 2015 será um pouco melhor do que em 2014 e a retomada do crescimento deve ocorrer no segundo semestre, estima o economista Écio Costa, sócio da CEDES Consultoria e Planejamento, no Comitê de Economia e Finanças da Amcham-Recife, quinta-feira (27/11). Confira aqui a apresentação completa.

“Os resultados positivos virão como reflexo de sérias medidas que serão tomadas ainda no primeiro semestre, para ajuste da economia”, complementa.

Costa avalia que a política fiscal vai exigir esforço extra do novo Ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Entre os entraves a serem superados, estão a reorganização das contas do governo, a volta do superávit primário (que pode ajudar a conter a inflação) e a retomada da confiança do mercado financeiro. “Os ajustes são fundamentais para reconquistar os investidores, frente aos resultados de 2014,” ressalta.

A recondução de Alexandre Tombini ao comando do Banco Central deve manter a política monetária inalterada, com tentativas de manter a taxa de Inflação dentro da meta, avalia.

Costa acredita que o governo deve continuar praticando o que está dando certo e não tentar grandes novidades na política macroeconômica. Para ele, a principal agenda deve ser a microeconomia, de forma que traga a produtividade de volta ao país.

“A inflação está alta e o crescimento baixo. O desafio é puxar o PIB potencial para cima com aumentos de produtividade, que viriam através de investimentos em educação, reforma tributária e infraestrutura, a curto, médio e longo prazo”, analisa.

Para tanto, Costa avalia que o BNDES deveria redirecionar seu papel, para que a economia não dependa tanto da instituição. “Ele não deveria se voltar tanto a grandes empresas que podem ir ao mercado, e sim financiar casos como o da hidrelétrica de Belo Monte, que não consegue captar recursos no mercado,” declara.

“Pode-se afirmar que o problema brasileiro se concentra na dificuldade do país em recuperar o nível de crescimento devido a seus problemas estruturais. O fato de ter passado toda a década de 1990 sem investir em infraestrutura provocou graves problemas que acabam gerando baixa competitividade”, completa.

Ele lembra que o Brasil está muito abaixo dos outros países da América Latina, em investimentos. Em 2013, a contribuição foi de aproximadamente 18% do PIB; enquanto o mundo investiu 24,5%, os países emergentes 32,2%, e a América Latina 21,3%.

De acordo com o relatório Doing Business 2014, publicado pelo Banco Mundial, o Brasil ocupa a 116ª posição de um ranking com 189 países, considerando a facilidade para fazer negócios em cada um deles. O Brasil ficou abaixo da média da América Latina e Caribe e bem abaixo de países latino-americanos como Chile (34º), Colômbia (43ª) e México (53ª). Ficou também atrás da Rússia (92ª) e China (96ª).

“Existe uma dificuldade em se negociar no Brasil. É preciso recuperar a confiança do empresariado com regras mais claras e que não mudem frequentemente,” diz o economista.