Compensações fiscais a investimentos em formação de profissionais tornariam companhias mais competitivas, afirma Nilton Prascidelli, diretor de RH da Amsted Maxion

por andre_inohara — publicado 25/07/2011 11h12, última modificação 25/07/2011 11h12
Campinas - Para executivo, medida reduziria impacto de mão de obra sobre custos totais, permitindo barateamento de produtos.
compensacoes_corpo.jpg

O principal desafio das empresas na área de mão de obra é a retenção dos melhores quadros.

Em muitos casos, os investimentos das empresas em aperfeiçoamento de pessoal se perdem quando o profissional treinado recebe uma oferta melhor de emprego e deixa a companhia, aponta o diretor de recursos humanos da Amsted Maxion, Nilton Prascidelli.

O executico defende benefícios fiscais para as empresas que investirem em treinamentos para funcionários.

Veja a entrevista que Prascidelli concedeu ao site da Amcham pouco antes de participar do evento “Competitividade Regional”, realizado em Campinas nesta terça-feira (26/07):

Amcham: Qual é o maior desafio para a formação e retenção de mão de obra qualificada hoje?
Nilton Prascidelli:
Do ponto de vista de competitividade, o grande problema é a dificuldade de encontrar mão de obra preparada. As empresas acabam tendo de investir pesadamente na formação e capacitação em todos os níveis. Com todas as companhias precisando de gente especializada, acaba-se não tendo garantias fortes de que o investimento em treinamento dará retorno. Temos um curso de pós-graduação interna de engenharia ferroviária reconhecido pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura), e treinamos 27 funcionários. Se outra empresa aparecer com uma boa oferta, os funcionários poderão trocar de emprego quando bem entenderem. Mesmo que se faça um contrato de trabalho estipulando um período de permanência, não há garantia legal de que o funcionário o cumprirá.

Amcham: As empresas estão fazendo guerra de talentos?
Nilton Prascidelli:
Sempre existe assédio aos bons profissionais. O grande desafio das empresas é a retenção, e isso passa pela criação de vínculos corporativos fortes, como um plano de carreira. Mas a companhia não se responsabiliza pela carreira dos indivíduos. Ela apenas disponibiliza os recursos para que o profissional possa se planejar. Porque, se ele não estiver motivado, sairá. O grande desafio é motivar para reter o máximo possível. Por outro lado, temos investido em programas de pós-graduação como forma de motivação. Porém, não há um dispositivo legal que determine que o funcionário contemplado tenha de cumprir o período de tempo acordado, de modo que a empresa consiga recuperar o investimento. Faltam ações preventivas.

Amcham: Como os acordos coletivos têm tratado a questão de retenção de pessoal?
Nilton Prascidelli:
Os acordos coletivos são muito mais focados na manutenção das conquistas sociais. Não há discussões sobre o tempo que uma empresa necessita para recuperar o investimento feito para o aperfeiçoamento da capacitação profissional do funcionário.

Amcham: Medidas como a desoneração da folha de pagamento seriam importantes nesse contexto?
Nilton Prascidelli:
Se houvesse compensações fiscais aos investimentos feitos na formação de profissionais, as empresas ficariam mais competitivas. O impacto do custo de mão de obra seria menor, e esse benefício seria repassado aos preços dos produtos, o que aumentaria o nível de competitividade das exportações e até geraria mais possibilidades de consumo interno.