Compromisso do Brasil com reformas é do “mais alto nível” e agrada investidores americanos, diz CEO da Amcham

publicado 19/03/2019 14h53, última modificação 21/03/2019 10h04
São Paulo – Deborah Vieitas está nos EUA com a delegação de empresários e comenta que a medida faz parte de entregas intermediárias para o caminho em direção ao livre comércio
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Ministro da Economia, Paulo Guedes, em Cerimônia de Assinatura de Atos na Câmara de Comércio dos EUA | Foto: Agência Brasil/Alan Santos

Nos Estados Unidos, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, disse em 18/3 que o Brasil vai trabalhar para reduzir impostos e o tamanho do estado para atrair mais investimentos estrangeiros. Foi um discurso animador para o setor privado brasileiro e americano, conta nossa CEO, Deborah Vieitas, que também está em Washington como uma das representantes do setor privado na visita do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos.

“Isso é um compromisso no mais alto nível”, comentou Vieitas. “(O ministro) insistiu que está trabalhando na redução de reinvindicações tributárias, encolhimento do estado com maior descentralização e desburocratização e também a continuidade de privatizações e novas concessões. Do ponto de vista dos investidores aqui presentes, foi um entusiasmo muito grande”, continua.

Nossa CEO também mencionou outra passagem do discurso de Guedes que demonstra o empenho do presidente em aprovar as reformas, “mesmo que isso custe o seu segundo mandato”. Vieitas também citou a reforma da previdência como outro compromisso sério do governo com as reformas e atração de investimentos. “Ela é essencial e um gatilho para a atração de investimentos efetivamente significativos.”

Acordo de livre comércio

Sobre um acordo de livre comércio com os Estados Unidos, o empresário brasileiro é pragmático e enxerga com realismo a perspectiva de um tratado bilateral, que ainda está no campo das discussões.

Em pesquisa recente realizada pela Câmara de Comércio da América para o Brasil (Amcham Brasil) com presidentes e diretores de empresas, quase metade dos entrevistados reconhece que provavelmente o País não terá efeitos de curto prazo no comércio exterior, mas enxergam um esforço do governo em criar um caminho para isso. “O processo para chegar a um acordo de livre comércio leva, em condições normais, entre dois e três anos”, explica Deborah.

Isenção de vistos para turistas

A executiva também o decreto, publicado nesta segunda-feira (18), que libera turistas dos Estados Unidos, Austrália, Canadá e Japão a entrarem no Brasil sem a necessidade de visto. “Acho que a liberação dos vistos para estes países ditos desenvolvidos tem um potencial de fazer crescer nossa receita de turismo para um número desejável”, avalia.

Só para comparar, Vieitas conta que a receita anual do Brasil com turismo é de menos de dez bilhões de dólares anuais. Somente o parque de Yosemite, na Califórnia, gera uma receita de cerca de cinco bilhões de dólares.

“Nós ainda temos muito que fazer no turismo, porque existe um potencial extremamente importante. Além disso, essa é uma indústria que tem geração muito importante de empregos indiretos.”