Conferência da Amcham e AS/COA é destaque na coluna de Miriam Leitão

publicado 08/06/2015 09h55, última modificação 08/06/2015 09h55
São Paulo – Edição da última sexta (5/6) trouxe resumo das discussões do encontro que reuniu Citi, Itaú/Unibanco e Fitch

 

A Conferência internacional da Amcham e AS/COA no último dia 27/5 pautou a edição da última coluna da jornalista Miriam Leitão distribuída para jornais de todo o País. Segundo a jornalista, apesar da perspectiva de recuperação da economia no médio prazo, especialistas enxergam um cenário difícil pela Frente.

Branda e prolongada

Coluna Miriam Leitão | Edição do dia 05 de junho
Quem tem uma visão mais otimista sobre o país nos próximos anos também enxerga um cenário difícil pela frente. O presidente do Citi no Brasil, Hélio Magalhães, avalia que a inflação vai cair, como efeito da recessão, e isso abrirá espaço para que o Banco Central diminua os juros ainda este ano. Mas ele acha que o desemprego vai subir, isso vai afetar a inadimplência, e nosso crescimento anual não passará de 2% até 2018.

Passado o choque dos preços administrados, como da energia elétrica, a inflação vai começar a ceder. O aumento do desemprego vai diminuir a demanda por serviços, e os efeitos da alta do dólar sobre os preços ficarão mais suaves. Nesse cenário, o Banco Central começará a cortar os juros no final do ano, dando um sinal positivo de que a pior fase do ajuste monetário ficou para trás. Esse é o cenário traçado pelo Citi, que estima o IPCA em 8% este ano e em 5,5% no ano que vem. Isso já seria suficiente para o início de um ciclo de corte na Selic.

- A economia já está devagar, e a inflação não vai ter força para se manter tão alta. Uma inflação em queda e uma sinalização do Banco Central de corte de juros vão ajudar a recuperar a confiança. Isso é o primeiro passo para que as empresas voltem a investir, disse.

O problema é que ainda assim não haverá uma recuperação forte, na visão da equipe de análise do banco. Para este ano, a projeção é de queda de 1%, um tombo menor do que projeta a maior parte do mercado, e para o ano que vem haveria crescimento de 0,7%. Depois disso, não passaremos de 2% ao ano.

- Ao contrário de 2009, quando tivemos uma desaceleração forte e uma recuperação rápida, agora teremos um cenário de recessão mais branda, porém, mais prolongada. Vamos crescer no máximo 2% em 2017 e 2018, mas temos que aprovar as reformas que reduzam custos, disse Hélio.

O executivo lembra que, nos últimos 10 anos, a participação do Brasil no comércio internacional caiu de 2,5% para 1,4%. Um dos caminhos para voltar a crescer é focar nas exportações, mas é preciso olhar menos para a América do Sul e buscar mercados “que façam a diferença”, como os Estados Unidos.

Cinco ajustes, sem reformas

O economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, enxerga cinco ajustes acontecendo no país. O primeiro, das contas públicas, com corte de gastos e aumento de impostos. O segundo, “parafiscal”, é a redução do crédito subsidiado pelo Tesouro. Há também a alta do dólar, para conter o déficit em conta corrente; e a correção dos preços administrados, que ficaram congelados. Por fim, o aperto nos juros pelo Banco Central. “Ajustes não são reformas. Eles evitam uma crise maior, mas não dão competitividade”, disse Ilan em evento da Americas Society/Council of the Americas e CâmaraAmericana de Comércio (Amcham-Brasil), em São Paulo.

Três focos de atenção

No mesmo evento, Rafael Guedes, diretor-executivo da agência Fitch, alertou que o Brasil tem três fundamentos que destoam de outros países com a mesma classificação de risco, BBB. O país está com baixa expectativa de crescimento; tem forte déficit nominal e alta dívida bruta; e há dificuldades políticas, com a baixa popularidade da presidente, escândalos de corrupção, e a fragmentação do Congresso. O Brasil está sob revisão negativa da agência.

Expectativa

O economista Ignacio Crespo Rey, da Guide, diz que o mercado está de olho nos índices de confiança, que podem antecipar uma alta na bolsa.