Conselhos de família são demandados nas empresas tradicionais do Nordeste

por daniela publicado 06/07/2011 17h11, última modificação 06/07/2011 17h11
Recife - Constituição desses grupos representa importante avanço em governança corporativa, destaca consultor.
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As companhias nordestinas, em grande número tradicionais e familiares, vivem boa fase de seus negócios devido à expansão do mercado consumidor local. Nesse cenário, a instituição de conselhos de família consiste em avanço necessário em governança corporativa e desponta como uma forma de conduzir, de maneira estruturada, os interesses dos proprietários, explica Edson Cedraz, gerente sênior da Deloitte.

“Este conselho é muito importante e sua implantação tem que ser realizada em conjunto com outras diretrizes de governança corporativa. A preocupação com pontos como este é importante para a competitividade das empresas nordestinas, que precisam alinhar suas gestões a padrões internacionais de transparência e equidade”, comentou Cedraz, que participou do comitê de Economia e Finanças da Amcham-Recife nesta quarta-feira (06/07).

Cedraz destaca que, no Nordeste, as práticas de governança ainda são pouco disseminadas. “As empresas, por terem capital fechado, se preocupam menos com aspectos de governança. Elas ainda não assimilaram que a governança corporativa pode também melhorar as relações com clientes, fornecedores e bancos”, analisou o especialista.

Papel dos conselhos

Entre as funções dos conselhos de família, estão: o acompanhamento dos sucessores de cargos de poder, a perpetuação dos valores escolhidos pelos fundadores e a compatibilização dos interesses da família aos interesses da companhia.

De acordo com Cedraz, a criação desse tipo de conselho representa a independência entre interesses familiares e corporativos, aspecto que deveria ser pensado desde a criação da companhia, mas que muitas vezes é esquecido. “No início, é natural que estes interesses se cruzem. Um exemplo simples dessa situação ocorre quando o empreendedor se depara com questões como reformar sua loja ou comprar um carro novo para o filho”, ilustrou o gerente da Deloitte. 

Entretanto,  para que as empresas apresentem crescimento consistente, há necessidade de uma gestão mais profissionalizada, disse Cedraz.