Copa do Mundo e rodovias são projetos que mais impactarão Minas Gerais nos próximos anos

por andre_inohara — publicado 27/06/2011 11h27, última modificação 27/06/2011 11h27
Belo Horizonte – Pesquisa da Amcham, que integra o projeto “Competitividade Brasil – Custos de Transação”, revela quais são as oportunidades e os desafios para o desenvolvimento do Estado.

Pesquisa da Amcham mostra que, para o setor privado, projetos relacionados à Copa do Mundo de 2014 e à ampliação e melhoria da malha rodoviária são os que terão maior impacto em Minas Gerais nos próximos anos. Para 93% dos consultados, esses dois eixos terão efeito alto ou considerável para o Estado.

Outras iniciativas apontadas pelo empresariado como muito importantes para a economia mineira no futuro próximo estão relacionadas à mobilidade urbana, ou seja, trens e metrô,  e aeroportos, ambas com 91%. Obras de hotelaria vêm em seguida (86%), acompanhadas de perto por construção civil (88%) e mineração (68%). Quanto às Olimpíadas de 2016 e ao setor de petróleo e gás (pré-sal e petroquímica), as expectativas são mais modestas (56% e 25% dos entrevistados, respectivamente).

Passando à esfera de sua atuação direta, os empresários disseram ter interesse em atuar sobretudo em projetos ligados a Copa (56%), indústrias de novas tecnologias (48%) e Olimpíadas de 2016 (43%). Projetos de mobilidade urbana (28%), aeroportos (28%), rodovias (25%) e petróleo e gás despertam menor atenção.

"Esperamos que os investimentos para a Copa sejam apenas um pretexto para a série de investimentos que Minas Gerais e o Brasil como um todo precisam", afirmou Marcos Santana, vice-presidente regional da Amcham-Belo Horizonte, na apresentação do estudo nesta terça-feira (28/06) durante o evento “Competitividade Regional”, em Belo Horizonte, que integra o programa “Competitividade Brasil – Custos de Transação” da Amcham-Brasil.

De acordo com ele, o setor privado deve exercer papel de indutor do desenvolvimento do País. "As percepcões da pesquisa são reais. Se os empresários não fizerem nada, o Brasil não ganhará competividade. O empresariado precisa cobrar os demais atores", enfatizou.

Para a sondagem, a Amcham, em parceria com o Instituto Análise, ouviu, entre maio e junho, 155 altos executivos de empresas de todos os portes no País, sendo 40 deles estabelecidos em Minas Gerais. Os setores de serviços e indústria respondem por 44% da amostra (22% cada), seguidos por tecnologia (10%), recursos humanos (8%), advocacia (8%) e automotivo (5%), entre outros, como bens de consumo, construbusiness, turismo e finanças.

Setores mais promissores para investimentos e desafios


A pesquisa da Amcham detectou que os três setores mais promissores para investimentos no Estado nos próximos anos são mineração (48% dos entrevistados), grandes obras de construção civil com exceção de habitação (30%) e siderurgia (30%). Outras áreas atrativas são turismo e entretenimento (25%), indústria automobilística e serviços de informática (20% cada).

Quando questionados sobre quais segmentos da região deveriam receber maior apoio governamental ou de organizações da iniciativa privada, as respostas mais recorrentes foram educação em geral e formação profissional (28%) e turismo e entretenimento (15%). Modais de transporte (rodovias, portos, ferrovias e aeroportos), serviços de saúde e grandes obras de construção civil (exceto habitação) tiveram, respectivamente, 10% das respostas.

A sondagem apurou que a maioria das empresas (83%) ainda não participou de processos licitatórios para parcerias público-privadas. Também identificou os principais entraves à ampliação da participação do setor privado nos projetos de infraestrutura. Para 75%, o excesso de burocracia é o principal obstáculo, seguido por baixa transparência no processo licitatório (48%), insegurança jurídica (45%) e falta de divulgação dos projetos (43%).

As sugestões apontadas para maior envolvimento do empresariado nacional nesses projetos são a necessidade de maior clareza dos objetivos (43%), menos burocracia (18%), mais divulgação dos projetos (18%) e acesso a crédito (8%).

Raio-X da infraestrutura


Dentre os diversos modais de transportes (rodovias, ferrovias e aeroportos), 53% dos pesquisados consideram que as rodovias deveriam ser prioridade de investimentos em Minas Gerais. Os aportes em ferrovias e aeroportos são considerados fundamentais para, respectivamente, 25% e 23% dos respondentes.

As rodovias públicas sob concessão foram bem avaliadas por metade dos entrevistados, sendo que 40% disseram estar satisfeitos e 10% totalmente satisfeitos. Já as rodovias públicas federais tiveram elevado grau de insatisfação (95%), sendo 43% insatisfeitos e 52% totalmente insatisfeitos.

As rodovias públicas estaduais também receberam avaliações negativas, com 84% de descontentamento (43% insatisfeitos e 41% totalmente insatisfeitos). Portos e ferrovias são modais com no geral mal avaliados. No caso dos portos, apenas 18% se mostraram totalmente satisfeitos, e 7% estão satisfeitos ou totalmente satisfeitos com o modal ferroviário.

No que tange aos aeroportos, os serviços também são considerados no geral ruins, conforme 75% dos entrevistados. O percentual de insatisfeitos é de 45% e o de totalmente insatisfeitos, 30%.

Falta mão de obra técnica no Estado


A falta de mão de obra técnica é um importante gargalo ao desenvolvimento da região, segundo os entrevistados pela Amcham. A escassez de capital humano é mais sentida nos níveis de ensino médio técnico (58%), ensino superior técnico (55%), mão de obra em geral (45%) e não especializada (38%).

Como propostas para suprir a falta e a baixa qualificação de profissionais no mercado, 88% consideram muito importante ou importante a aprovação de uma lei de incentivo fiscal às companhias que investem em capacitação (uma espécie de “Lei Rouanet”).

Outra sugestão levantada como muito importante ou importante para 83% dos pesquisados é o direcionamento do ensino médio à profissionalização através da atualização de todo o conteúdo.

A implementação de campi avançados de cursos superiores em cidades de médio porte foi uma solução considerada importante ou muito importante por 81% dos respondentes.

Para 90% dos empresários, há necessidade de alterações no regime de trabalho baseado na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). Dentre modelos alternativos que causariam impacto positivo, foram citados diminuir encargos sociais (81% dos entrevistados) e dar direito de escolha de se trabalhar com carteira assinada ou através de nota de prestação de serviço (58%). Outras alterações apontadas foram fim do imposto sindical (39%), limitação do valor da contribuição sindical (25%) e mudanças na forma de atuação da Justiça do Trabalho. A fatia que defende a limitação do poder normativo da Justiça do Trabalho é de 22%, enquanto outros 22% pregam conciliações prévias à Justiça do Trabalho.

Em caso de desoneração da folha de pagamento, 70% dos respondentes destacaram que as empresas ficariam mais competitivas. Outros 25% acreditam que mais empregos formais seriam criados, além de aumento dos investimentos em tecnologia (3%) e das margens, permitindo preços mais competitivos (3%).

Desenvolvimento regional


O empresariado listou as ações governamentais que seriam mais efetivas no desenvolvimento das empresas em Minas Gerais. A redução da carga tributária é a principal fator para 65% dos respondentes, seguida da reforma no sistema de tributos (58%) e da reforma trabalhista (50%).

Na comparação com outros Estados, a carga tributária em Minas é percebida como maior do que deveria ser por 70% dos entrevistados.

Fatores incentivadores ao desenvolvimento das empresas


O levantamento da Amcham buscou verificar, em termos de reforma fiscal, quais seriam os maiores fatores de incentivo ao desenvolvimento das atividades empresariais.

Em primeiro lugar, apareceu a desoneração da folha de pagamentos com busca de mecanismo de compensação arrecadatória (55%); em segundo, política de desoneração efetiva de investimentos para aumento da competitividade (48%); e em terceiro, redesenho de PIS/Cofins para a criação de um imposto sobre valor adicionado (45%).

Em relação a PIS/Cofins, 58% declararam não confiar que o governo agilizará a devolução desses créditos para a exportação. A esse respeito, após a conclusão das entrevistas, ainda em junho, a Receita Federal informou que devolverá a partir de setembro 100% dos créditos de PIS e Cofins àquelas que preencherem a nova declaração eletrônica do tributo, prevista para ser entregue em julho de forma voluntária e em fevereiro de modo obrigatório. Atualmente, só são restituídos com agilidade, em até 60 dias, 50% dos créditos reivindicados por companhias que tenham exportado 10% de sua produção no último ano. A devolução de créditos tributários federais é uma antiga demanda do empresariado, mensurada também em pesquisa da Amcham apresentada no Café de Comércio Exterior da Amcham-São Paulo em 26/05.