Crise na Europa e recuperação tímida dos EUA desaceleram mercado global de aço, diz presidente da Usiminas

por daniela publicado 07/10/2011 12h42, última modificação 07/10/2011 12h42
Daniela Rocha
São Paulo- Wilson Brumer também comenta que País precisa avançar em competitividade para que o crescimento econômico não seja baseado nas importações.
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A crise fiscal que atinge a Europa e o ritmo fraco de recuperação da economia dos Estados Unidos, com todos os seus reflexos em outras nações, estão desacelerando o mercado global de aço. A análise é de Wilson Brumer, presidente da Usiminas que participou nesta quarta-feira (5/10) do comitê estratégico de Governança Corporativa da Amcham-São Paulo.

Atualmente, há um excesso de aço no mundo. De acordo com Brumer, a capacidade ociosa é de aproximadamente 500 milhões de toneladas, o que corresponde de 25 % a 30% da capacidade instalada.

“Aço e crescimento de Produto Interno Bruto (PIB) caminham juntos. No entanto, o que estamos vendo são crescimentos modestos das economias, com exceção de alguns países da Ásia como China e Coréia. A Europa está passando por uma crise complexa e os Estados Unidos ainda estão em um processo difícil de recuperação”, explicou Brumer.

Contudo, para a Usiminas os reflexos do cenário externo serão relativamente baixos. “Cerca de 80% da nossa produção é voltada ao mercado interno e as exportações estão concentradas no mercado latinoamericano”, ponderou.

Importações preocupantes

Brumer afirmou que o avanço  dos importados no mercado doméstico é preocupante. “A economia brasileira vai crescer, mas o problema é que boa parcela desse crescimento está sendo ganho pelas importações. Não sou contra as importações, mas acho que o País ainda está mal preparado em políticas de comércio e tem que melhorar a sua competitividade”, acrescentou. Ele criticou o elevado Custo-Brasil.

No caso da área de siderurgia, o executivo ressaltou que cada vez mais aço contido em produtos acabados está entrando no País. De janeiro a agosto desse ano na comparação com o mesmo período do ano passado, foram registrados aumentos da importação de aço em máquinas e equipamentos (22,4%); em eletrodomésticos da linha branca (17,4%); autopeças (19,3%) e veículos (28,9%).

As importações brasileiras de produtos que contém aço da China atingiram US$ 16 bilhões em 2010, crescimento de 360% se comparado a 2005.

Desindustrialização e competitividade

Wilson Brumer ressaltou que no Brasil, a indústria de transformação tem perdido participação no PIB nos últimos anos. O setor representa atualmente 16% do PIB, aproximadamente o mesmo patamar da década de 50, que era de 18%. Entre os anos 70 e 80, a indústria chegou a responder por parcelas um pouco superiores a 30% do PIB, mas a partir de 1990 passou a perder o fôlego.

“O País passa por um processo perigoso de desindustrialização, no qual vemos que a participação da indústria como um todo, é basicamente a mesma da década de 50 quando o País era agrícola. Naquela época o PIB era menor do que o atual, mas o que é preocupante é que em termos de participação relativa da indústria, estamos no mesmo nível”, disse.

Na visão do presidente da Usiminas, o Brasil precisa remover uma série de gargalos à maior competitividade para que possa explorar mais oportunidades no mercado doméstico, assim como para ampliar as exportações. “É preciso discutir soluções para aumentar a competitividade do País de forma sistêmica.”

Entre os desafios, ele apontou a necessidade de avanços na infraestrutura de transportes. Enquanto o País investe apenas 0,2% do PIB nessa área, a China investe 4%. Hoje, os custos logísticos representam 8,3% da receita líquida da indústria no Brasil, apontou.
A alta carga tributária que ainda incide sobre investimentos na área de bens de capital é outro problema a ser resolvido, segundo o executivo. E, de acordo com Brumer, o custo médio da mão de obra do País está mais caro na comparação com os principais emergentes.

Brumer enfatizou também que o alto custo da energia elétrica no Brasil também torna as indústrias menos competitivas. As tarifas industriais no País estão entre as maiores do mundo, superiores as praticadas na China, Índia, México, Chile, Argentina, Estados Unidos e Japão.