Crise pressiona redução de investimentos em inovação em 65% das empresas, aponta pesquisa Amcham

publicado 02/05/2016 14h32, última modificação 02/05/2016 14h32
São Paulo - Entidade ouviu 100 empresários durante o lançamento do programa + Competitividade Brasil, no dia 15/4
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Em virtude da atual crise política e econômica, 65% das empresas reduziram os investimentos em inovação no Brasil, aponta enquete realizada pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) com 100 dirigentes empresariais no último dia 15/4, durante o lançamento do programa + Competitividade Brasil.

A maior pressão por resultados é a maior justificativa pela diminuição. Da parcela de empresas que reduziram os investimentos, 39% delas apontaram possibilidade de retomada dos projetos com a melhoria de economia; outros 26% desaceleram sem previsão de retomada no curto prazo.

Uma outra parcela de 35% das empresas entrevistadas informaram manter os investimentos, independente do cenário, já que a inovação é a principal aposta da organização para a perpetuidade do negócio.

+COMPETITIVIDADE BRASIL
A pesquisa foi aplicada durante o lançamento do programa +Competitividade Brasil da Amcham. O programa é focado em capacitações, forças-tarefa e estudos técnicos visando estimular ganhos de produtividade e a maior inserção das empresas brasileiras na economia global. Mais de 51 eventos já estão previstas em 14 cidades brasileiras já neste ano. Agenda completa no www.amcham.com.br/acontece

Além de responder sobre os investimentos em inovação, os empresários presentes elencaram as propostas impactantes para estimular o ambiente de pesquisa & desenvolvimento no País. Segundo eles, em ordem de prioridade, são: desburocratização de processos internos e externos (69%); maior incentivo as startups (13%); e legislação, adoção e incentivo a realização de Parcerias Universidade-Empresa (13%). Por último, aparece a retomada e continuidade do programa Ciência Sem Fronteiras (4%).

Das empresas que continuam investimento em ganhos de produtividade via inovação, algumas novas ações são prioridades no curto prazo. Foram listadas: aumento do orçamento para pesquisa & desenvolvimento (25%); adoção de práticas de open innovation (22%); busca por parcerias com universidades brasileiras e internacionais (13%); e aquisição de startups inovadoras (7%).

PRODUTIVIDADE
Mesmo com redução de investimentos, 37% dos empresários ouvidos pela Amcham avaliaram que a produtividade da companhia permaneceu estável quando comparado 1º trimestre de 2016 com o último de 2015. 32% deles empataram ao sinalizar que diminui ou aumentou.

Sobre os atuais principais obstáculos para ganhos de produtividade na economia, o empresariado enumera os seguintes gargalos: carga tributária (39%); qualificação da mão de obra (27%); burocracia; (16%) baixo nível de inserção no comércio global (10%), e custo de capital (8%).

Finalizando, a enquete da Amcham questionou os empresários sobre as propostas fundamentais para reativar o ambiente empreendedor. Na visão deles, são: redução da burocracria para abertura e fechamento de empresas (36%); isenção fiscal para gastos com qualificação de mão de obra (25%); criação do “Simples Trabalhista” para aumento do trabalho formal nas MPE’s (20%); e criação de arcabouço jurídico para startups, incubadoras e aceleradoras.

A PESQUISA
A pesquisa ouviu 100 empresários de grande e médio porte de todos, sendo 85% deles de empresas brasileiras. Os empresários foram ouvidos em pesquisa em tempo real no lançamento do Programa Mais Competitividade Brasil na sede da entidade, em São Paulo, no último dia 15/4.