Custo de produção de automóveis no Brasil é duas vezes superior ao do México, afirma presidente da GM

publicado 05/10/2016 11h59, última modificação 05/10/2016 11h59
São Paulo – Segundo Barry Engle, país precisa debater competitividade para melhorar exportações
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Para Barry Engle, Presidente para América do Sul da General Motors, é essencial debater competitividade para falar de exportação. “Temos um problema com competitividade: nosso custo não é competitivo. O México, por exemplo, tem um custo de produção que é metade do nosso”, compartilhou, durante o seminário "Brasil 2017: Perspectivas para o País" na Amcham – São Paulo, na terça-feira (04/10).

O presidente da empresa também cita a dificuldade dos custos logísticos na empresa. “O custo logístico inbound e outbound no Brasil é o dobro da média mundial”, aponta. Para Engle, enfrentar o problema passa por discutir reforma trabalhista, produtividade e a burocracia.

O foco da indústria no momento é o mercado interno, segundo o representante da GM, que projeta um crescimento de 10 a 15% em 2017. O especialista garante que o investimento a longo prazo, principalmente em novas tecnologias, e o lançamento de novos produtos foram estratégias essenciais para a empresa durante a crise.

Na última década, a empresa cresceu muito no país, de acordo com Engle. A recessão prejudicou a indústria, porém o especialista acredita que o pior já passou e agora iniciamos um período de recuperação gradual. "Vimos que os problemas econômicos são profundos e estruturais, por isso não vamos solucionar os problemas de uma hora para outra. Vai levar um pouco de tempo. A GM está no Brasil há 91 anos, já passou por vários ciclos e sabe que é um local que vai crescer", declara.

Carlos Magnarelli, CEO do Grupo Liberty, também tem boas expectativas quanto ao mercado interno brasileiro. Com a ascensão da classe média nos últimos anos e a baixa penetração de seguros de automóveis (30%), o especialista vê muito espaço para crescimento. "O mercado de seguros é dirigido para a classe média e, com as mudanças da pirâmide populacional, em 2030 chegaremos em um patamar importante para esse segmento", garante.

Com a crise, muitas pessoas da classe C estão migrando para D e E, segundo Magnarelli. Isso significa que houve uma perda do mercado consumidor, já que muitos consideram que o seguro não é essencial. "Nossa estratégia é oferecer seguros com coberturas menores, menos assistências, e que seja mais barato, para que as famílias possam pagar", compartilha.

"Os quatro pilares do consumo foram abalados nos últimos anos: emprego, renda, crédito e confiança", destaca Hugo Bethlem, Sócio Diretor da Gouvêa de Souza. O especialista considera que o processo de recuperação econômica começa com os índices de confiança, e que estes melhoraram nos últimos tempos, o que é um bom sinal.

Bethlem afirma ainda que as empresas devem fidelizar seus consumidores para gerar melhores resultados - e isso só é possível se as companhias prestarem atenção nas mudanças do mercado, principalmente no que diz respeito a multiplicidade de canais e sua integração. "Varejista que acreditar que a internet é um concorrente desleal é bom sair do negócio. As empresas que vão dar passos mais rápidos vão ser as que mais rapidamente se integrarem nos canais disponíveis", detalha.