Desequilíbrio fiscal e governabilidade aumentam grau de incerteza econômica em 2019, afirmam CEOs

publicado 05/12/2018 17h33, última modificação 06/12/2018 09h38
São Paulo – Enquete Amcham ouviu 58 CEOs de grandes empresas sobre perspectivas para o próximo ano
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O desequilíbrio fiscal é o fator mais citado por presidentes e diretores executivos de grandes empresas como sendo o principal obstáculo da recuperação econômica em 2019.

De acordo com enquete realizada com 58 presidentes e diretores executivos de grandes empresas durante o comitê estratégico de CEOs & Chairpersons da Amcham-São Paulo na terça-feira (4/12), 57% deles (33 dirigentes) citaram o quadro fiscal preocupante e dependente de reformas estruturais como a principal incerteza econômica do próximo ano.

Outros 43% (25 dirigentes) mencionaram a governabilidade do presidente eleito Jair Bolsonaro e a sua capacidade de obter o apoio do Congresso Nacional como a segunda principal fonte de incerteza.

Recuperação econômica

Para a maioria dos executivos (66%) uma retomada econômica é esperada já a partir de 2019, com melhoras nos indicadores de consumo e produção. Quase um terço dos entrevistados (32%) mostrou ser mais conservador, acreditando na manutenção dos indicadores econômicos, com melhora do otimismo e evolução dos indicadores só em 2020.

Os executivos se dividiram em relação ao ritmo de crescimento econômico. Para 51%, o PIB crescerá acima de 2%, enquanto que 49% responderam que a recuperação será de até 2%.

O otimismo em relação à economia, segundo 52%, é pontual e visto como um voto confiança ainda sem base concreta que garanta uma melhora da economia. Outros 45% consideram que a retomada terá base concreta, em virtude da nova agenda econômica e ajustes prometidos pelo novo governo.

Reforma previdenciária e produtividade

Em relação à agenda de reformas, 56% votaram na reforma da Previdência como prioridade, seguida da reforma tributária (22%) e ajuste das contas públicas (17%). Outros tópicos, como privatizações e abertura comercial receberam 2% de votos cada.

A questão fiscal volta a ser citada em outra questão. Para 53%, o ajuste é a principal preocupação dos altos executivos, seguida de desemprego (16%) e câmbio (16%).

Além do ajuste fiscal, 80% dos presidentes elegem o aumento da competitividade da economia como condição essencial para o crescimento, exigindo firmeza na condução das reformas estruturais.

Para a recuperação econômica, também é importante fomentar investimentos em infraestrutura (15%), com mecanismos a serem oferecidos pelo novo governo para diminuir riscos implícitos de contratos. O incentivo ao consumo foi citado por 5%.

Crescimento das empresas

Nas empresas, o otimismo é alto. A metade dos executivos (50%) estima um crescimento entre 5% e 10% em suas corporações, enquanto que 32% acreditam em uma expansão superior a 10%. Outros 18% acham que suas empresas vão crescer até 5%.

A principal estratégia de crescimento será em produtividade, com investimentos em melhoria de processos, produção e equipe, de acordo com 40% dos respondentes. A inovação do portfolio de produtos e serviços também será uma das ações para crescer, segundo 28%. Ações de expansão geográfica (9%), aquisições (9%) e internacionalização (7%) também foram citados.

 

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