Digitalização e tecnologias inteligentes de produção são fundamentais para recuperar competitividade

publicado 26/07/2017 11h23, última modificação 26/07/2017 11h55
São Paulo – Para Celso Placeres (Volkswagen), tecnologias de ponta disponíveis aceleram eficiência
Forum Industria 4.0

Da esq. para a dir.: Rodrigo Damiano, da PwC, Celso Placeres, da Volkswagen (de pé), Daniel da Rosa, da thyssenkrupp, Márcio Mariano, da Forsee, e Edouard Mekhalian, da Kuka Roboter: tecnologias de ponta estão acessíveis, mas é preciso planejamento estratégico e capacitação de pessoal para extrair o máximo de potencialidades

Para Celso Luis Placeres, diretor de engenharia de manufatura da Volkswagen para a América do Sul, investir em inovação e inteligência analítica é a forma de recuperar a competitividade da indústria automotiva nacional, que era uma das mais eficientes do mundo há alguns anos.

“Em 2008, estávamos na vanguarda e tínhamos a 5ª maior indústria automobilística do mundo. Hoje, somos a 29ª. Se não buscarmos competitividade através de digitalização e uso inteligente da tecnologia, não sobreviveremos à desindustrialização e ao mundo globalizado”, afirma, no Fórum ‘Indústria 4.0: A era da manufatura avançada’, da Amcham – São Paulo na quarta-feira (19/7).

Também participaram do debate Daniel da Rosa, CEO da unidade Steering da thyssenkrupp, Edouard Mekhalian, diretor-gerente da KUKA Roboter, e Marcio Mariano Jr., CEO da startup Forsee. A indústria automobilística é estratégica, pois agrega produtos de outros setores, como eletrônica, plásticos e design. Dessa forma, influencia o desenvolvimento de uma ampla cadeia produtiva.

Placeres sugere que indústria automobilística se reinvente com tecnologia e produtividade, entrando na era da Indústria 4.0 [produção mais eficiente e customizada a partir da junção entre robotização e tecnologias analíticas de dados].

Para ele, a produção inteligente está acessível a qualquer empresa. “As tecnologias de comunicação de hoje são comuns, praticamente commodities. Os robôs, por exemplo, estão sendo cada vez mais usados e seu custo vem caindo. Ou seja, a eficiência de uma fábrica inteligente virá da forma como a tecnologia será usada”, argumenta Placeres.

Há muito espaço para automação industrial, afirma Mekhalian, da KUKA Roboter. No Brasil, o uso de robôs na produção ainda é incipiente, se comparado aos países desenvolvidos. “O Japão usa 140 mil robôs para cada dez mil trabalhadores. Aqui, são apenas 12 robôs por dez mil trabalhadores”, destaca.

Robotização

Com a robotização, Mekhalian acredita que o ganho de produtividade será significativo. “Se investirmos maciçamente nessa tecnologia, não vai ser difícil o Brasil voltar a ser a sexta maior economia do mundo”, estima. Mariano, da Forsee, também destaca a necessidade de o Brasil modernizar seu parque industrial. “A média de idade das máquinas brasileiras é de 18 anos, enquanto que nos EUA, é de cinco anos”, compara.

Para ele, tecnologias de dados já tem aplicação comum na indústria, e podem oferecer soluções relativamente simples, como predições mais acuradas de demanda, consumo e suprimentos em tempo real. “Também dá para calcular formas de redução de consumo de energia e água, por exemplo.”

Mariano chama a atenção para o desenvolvimento de profissionais e cultura empresarial voltada à inovação. “A tecnologia é conhecida e está dominada. O uso dela e a visão da liderança nesse tema são os principais desafios.”

Rosa, da thyssenkrupp, destaca a necessidade de capacitação de profissionais para operar novos sistemas de gestão e inteligência analítica. “A tecnologia está disponível, mas tirar todo o proveito dos conceitos de Indústria 4.0 depende de muita preparação.”

Como exemplo, Rosa cita a aplicação de internet das coisas em elevadores. O uso de cabines equipadas com sensores permite aos operadores monitorar o funcionamento do aparelho e diminuir custos de manutenção, em função da previsibilidade maior de operação. A coleta de dados de uso possibilita ainda criar algoritmos e inteligência artificial para “aprender” mais sobre o produto e o consumidor. “Conhecer hábitos de clientes e as condições de uso são a base para inovações em produtos e serviços”, de acordo com o executivo.

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