Economia do Brasil vai voltar a crescer em 2012 após esfriamento de 2011, mostra estudo

por marcel_gugoni — publicado 23/01/2012 11h58, última modificação 23/01/2012 11h58
Marcel Gugoni
São Paulo – Maior consumo das famílias e investimentos de empresas e governos devem impulsionar o PIB.

O ano de 2011 foi mesmo de desaceleração econômica: quase todos os componentes do PIB (Produto Interno Bruto) tiveram uma retração – mesmo que pequena – em pelo menos um trimestre na comparação com o anterior. As previsões para 2012 são mais otimistas porque mostram algum crescimento na maior parte dos setores. 

Entre eles, se destacam as previsões de gastos maiores tanto das famílias, com o consumo, quanto dos governos e das empresas, com investimentos. A indústria e os serviços tomam a dianteira da retomada de crescimento, seguidos pelo setor da construção. 

O tema foi debatido por economistas no comitê aberto de Finanças, realizado na sexta-feira (20/01) na Amcham-São Paulo, sobre as perspectivas do Brasil para 2012. Os dados fazem parte de uma previsão da LCA Consultores apresentada pelo economista Fernando Camargo, sócio-diretor da consultoria. 

A perspectiva é de que 2011 termine com crescimento zero no último trimestre – o número oficial só será divulgado em março pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) – e volte a crescer entre janeiro e março (0,9%), na comparação com o trimestre anterior. Os meses de abril a junho de 2012 devem ser de mais avanço na comparação com o primeiro trimestre deste ano (1,4%), enquanto o período de julho a setembro mostra uma acomodação (0,9%). E o PIB volta a crescer mais aceleradamente nos últimos três meses deste ano (1,5%), segundo a LCA. 

“Não fosse a desaceleração de 2011, o ano de 2012 poderia começar muito melhor. [Por causa da crise internacional], uma série de projetos acabou não saindo do papel no ano passado”, afirma Camargo. “Por isso 2012 entra com dívidas. É o que chamamos de carry over”. 

Crescimento da demanda 

As perspectivas apontam para um aumento considerável da formação bruta de capital fixo a partir do segundo trimestre (3,6%) até o final do ano. Desde julho de 2011, esse componente está no vermelho, como mostram os dados do IBGE. 

Da mesma forma, os gastos do governo devem ficar bem acima do visto no ano passado. Em 2012, os avanços entre um trimestre e outro devem variar entre 0,9% e 1,5%. No ano passado, os crescimentos não passaram de 0,8% na mesma comparação. 

O consumo das famílias é outro item que se destaca: se 2010 foi o ano de comprar (houve crescimentos de até 2,4%, no terceiro trimestre), 2011 foi de controlar o bolso. No terceiro trimestre do ano passado, o consumo das famílias caiu 0,1%, após ter crescido só 0,5% entre abril e junho. Para 2012, os avanços ficarão entre 1% e 1,9% a cada trimestre. 

Aumento da oferta 

Para a indústria, que vem sendo impactada com o aumento das importações no Brasil, o cenário não é tão negativo quanto o visto em 2011. Nos quatro trimestres, a previsão é de que o PIB do setor avance entre 0,4% (de janeiro a março) e 3,1% (nos últimos três meses). 

“Quem tem mais sofrido na cadeia produtiva são as indústrias de alta tecnologia, como a mecânica, a de peças, a metalúrgica e outras”, detalha o economista. Para ele, o que ajuda a segurar o setor são as fabricantes das áreas de celulose e papel, de mineração e siderurgia, e de petróleo. “São setores já destacados há algum tempo, com uma vantagem comparativa por excelência.” 

Os serviços também terão crescimento de destaque – entre 0,7% e 1,1% em todos os trimestres. Os números são bem melhores do que os vistos, por exemplo, nos meses de julho a setembro de 2011, quando o setor amargou queda de 0,3% na atividade econômica. 

A construção deve verificar aumentos em seu PIB a partir do segundo trimestre, com taxas que variam entre 1,5% e 1,8%. No primeiro trimestre, que costuma ser fraco para o setor em todo o País, a aposta é em uma nova desaceleração (-0,7%), seguida à estimada para o período final de 2011 (outubro a dezembro). 

A agricultura, por sua vez, pode manter o forte ritmo visto desde o terceiro trimestre do ano passado, e crescer 3,4% entre janeiro e março de 2012, para depois desacelerar a algo entre 0,4% e 0,5%. O setor pode ainda ficar no vermelho em 0,3% entre julho e setembro, em função do período de entressafra. 

Inflação sob controle 

Outra boa notícia é que as previsões da consultoria apontam para uma inflação sob controle. Segundo o levantamento da LCA, “as taxas de inflação não serão um problema em 2012”. Se na maior parte do ano passado a preocupação era se os preços ao consumidor iriam estourar o teto da meta – de 6,5% para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) –, neste ano eles devem se estabilizar próximos aos 5% já a partir de abril. 

O governo fez um enorme esforço em 2011 para manter a inflação sob controle e o IPCA encerrou o ano nos exatos 6,5%. A meta continua em 4,5% neste ano, com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. 

Camargo diz que foi justamente a política monetária que impediu que a economia do Brasil crescesse mais. “O ritmo desacelerou por causa da política monetária, com as medidas macroprudenciais tomadas para controlar a inflação e restringir o crédito. Sem essa contenção, o Brasil teria crescido em torno de 5%.” 

A economia deve fechar o ano com uma taxa de 2,8%, mas os números oficiais só saem em março. Para o economista, o crescimento mais forte de 2012 aparecerá no segundo semestre, por causa dos efeitos do alívio da política monetária já em curso e pela diminuição das taxas de juros. 

Daniel Poit, do Cofecon (Conselho Federal de Economia), que também participou do encontro na Amcham, salienta que a estabilidade monetária contribuiu para a expansão da massa salarial real, elevando o poder de compra da população, e o Banco Central tem reduzido a taxa Selic. 

“Os efeitos sobre a economia ainda não foram plenamente observados e começarão a ser percebidos a partir do segundo trimestre de 2012.”

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