Economic Report Brasil: as projeções da XP para PIB, IPCA, SELIC e Câmbio

publicado 07/08/2020 17h44, última modificação 07/08/2020 18h16
Brasil - Entenda as projeções das principais variáveis macroeconômicas e os efeitos da pandemia no cenário brasileiro
_A atividade econômica segue em relativa alta, porém diante das incertezas sobre evolução da doença, crescem também as dúvidas sobre o fôlego do país após a cessação da bomba de estrogênio fiscal_, diz a.jpg

"A atividade econômica segue em relativa alta, porém diante das incertezas sobre evolução da doença, crescem também as dúvidas sobre o fôlego do país", diz a Economista da XP

O mundo vai levar anos para se recuperar do impacto causado pela pandemia do novo coronavírus – é desta maneira que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) avalia a retomada nos mercados financeiros globais. No Brasil, a conjuntura não é diferente. De acordo com as estimativas da XP Investimentos, o PIB brasileiro deve se contrair 6% em 2020 e crescer apenas 2,5% no próximo ano.  

Para Rachel Borges de Sá, Economista da XP, um problema inicialmente de oferta acabou se tornando uma crise de demanda, que expôs fraturas relevantes da nossa sociedade. Foi um momento raro para a aplicação de políticas que minimizassem os efeitos do ciclo econômico e, no Brasil, segundo a especialista, as ações governamentais se mostraram muito eficazes, especialmente no emprego formal e na manutenção da renda dos mais pobres, mas acabaram criando uma falsa percepção de estabilidade. Rachel compartilhou sua visão sobre a economia durante nosso webinar "Brasil - Cenário macroeconômico e político nacional", realizado no dia 05/08.   

A atividade econômica segue em relativa alta, porém, diante das incertezas sobre evolução da doença, crescem também as dúvidas sobre o fôlego do país após a bomba de 'estrogênio fiscal'. “O resultado dessas políticas contra cíclicas é uma dívida em crescimento. Passamos de uma dívida que tinha sido reduzida, no fim do ano passado, para uma trajetória ascendente”, conta Rachel Borges de Sá. 

 

O RISCO FISCAL 

De acordo com a OCDE, o Brasil entrou na crise atual já em uma situação desafiadora, dando seus primeiros passos em direção à maior sustentabilidade fiscal na esteira de reformas implementadas nos últimos anos. Com a chegada da pandemia e o necessário aumento de gastos públicos, o país agora sofre com uma das metades do chamado ‘déficits gêmeos’, ou seja, quando o déficit fiscal se torna concomitante ao déficit externo. 

Porém, as reservas internacionais do Brasil equivalem à 18% do PIB e a dívida pública está 95% denominada em moeda local. É nesse contexto, segundo Rachel Borges de Sá, que a solidez das contas externas brasileira se apresenta como uma verdadeira âncora. “Superamos o desafio de ter uma dívida externa pesada. O Banco Central usou as reservas para controlar a volatilidade extrema do câmbio, e hoje nossa dívida praticamente não existe atrelada ao câmbio. Com a desvalorização do real, não temos alteração na nossa dívida pública”, diz.   

Além disso, defende a economista, o Brasil hoje apresenta uma situação externa equilibrada em termos de transações comerciais e financeiras. Nos dados mais recentes do Banco Central, o país registrou em maio déficit em transações correntes equivalente a 2,54% do PIB em 12 meses, enquanto o fluxo de investimento direto no país (IDP) totalizou 4% do PIB no mesmo período. “O importante agora é que o déficit entre as transações correntes não ultrapasse os investimentos diretos no país”, afirma Rachel Borges de Sá. 

 

JUROS, INFLAÇÃO E CÂMBIO 

No dia 05/08, o Banco Central do Brasil decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros de 2,25% para 2,00% – e a expectativa da XP Investimentos é que a SELIC se mantenha no atual patamar até o fim deste ano. Embora os juros baixos, em tese, pressionem a cotação do dólar, a valorização não está refletindo em uma inflação maior e a estimativa é que os preços continuem em queda.  

“Estamos em um momento de atividade fraca, e isso se traduz em uma inflação baixa. Não tem motivo para a inflação subir. Mas, no Brasil, o passado é de crises com inflação alta. Não está acontecendo hoje porque tivemos mudanças e ganhos institucionais importantes que não devem ser subestimados. Com todas as mudanças, tivemos uma inflação baixa que permitiu que os juros também caíssem”, explica a economista.  

Além de efeitos inflacionários e na taxa básica de juros, a pandemia evidenciou que, em períodos de aversão ao risco, os ativos de maior segurança preponderam. “Nossa moeda foi a que mais sofreu, com uma desvalorização de 22%, e grande parte disso foi levado pelo aumento do risco no país. Já o dólar vai ser uma confluência de fatores”, declara Rachel Borges de Sá. O movimento ficou escancarado na nossa taxa de câmbio nos últimos meses, que deve fechar em R$/US$ 5,20 ao final de 2020 e em R$/US$ 4,90 em 2021, segundo projeções da XP.  

 

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