Educação, agenda ambiental, juros e câmbio: veja as análises que ainda não foram feitas sobre perspectivas em 2020

publicado 06/02/2020 16h00, última modificação 06/02/2020 15h19
Uberlândia - Educação e falta de agenda ambiental podem ter impactos negativos a curto e médio prazo
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Adriana Dupita, Economista da Bloomberg Economic para o Brasil e a Argentina, palestra durante o nosso CEO Dinner em Uberlândia

O mercado está otimista do lado econômico. Mas, para além das reformas, quais são as pautas que não estão na agenda do governo e que podem impactar no crescimento do país? Conversamos com os especialistas que participaram do CEO Dinner em Uberlândia, no dia 29/01, sobre queda dos juros, câmbio e agenda social e ambiental para 2020. Confira as análises abaixo:

 

EDUCAÇÃO, AGENDA AMBIENTAL E PRIVATIZAÇÕES

Para Adriana Dupita, Economista para Brasil e Argentina da Bloomberg Economics, palestrante do nosso CEO Dinner, duas pautas ainda estão suspensas: uma agenda mais ambiciosa na estratégia de privatizações e a educação. “Não tem como pensar no Brasil sem melhora da educação. Enquanto outros países estão estruturando como preparar a nova geração para trabalhar em empregos que ainda não existem, estamos discutindo a militarização de escola. Acho imperdoável e um retrocesso”, opinou a especialista.

Tony Volpon, Economista-chefe do banco UBS Brasil, aponta que a falta de uma agenda ambiental forte afasta potenciais investidores estrangeiros. A prova disso, para ele, foram as discussões em Davos – extremamente pautadas na sustentabilidade.  “Essa questão é forte na Europa: fundos estão adotando critérios ambientais para investimento. Ou seja, não só se olha para a expectativa de retorno e risco financeiro, mas também para ética, sustentação, sustentabilidade, compliance e governança. Infelizmente, no Brasil, estamos meio mal em função das queimadas da Amazônia e o episódio do bate-boca entre Bolsonaro e Macron. O investidor estrangeiro está com uma visão ruim [nesse aspecto]. O governo tem que realmente desfazer esse mal estar que se instaurou, acho que isso está inibindo a entrada de fundos estrangeiros”, relata.

 

TURBULÊNCIAS NA AMÉRICA LATINA

Algumas turbulências na América Latina podem também impactar a retomada brasileira em 2020. Os protestos populares no Chile, a instabilidade política na Bolívia e a crise na Argentina significam menos crescimento econômico em países que importam produtos industrializados brasileiros, como lembra Dupita. Além dessa desaceleração de exportações de industrializados, ela aponta um fluxo de capital mais retraído como possível consequência desses processos. “Se você como investidor vê um movimento que se espalha na América Latina, você talvez coloque as ‘vacas de molho’. E com desemprego alto e uma sociedade muito dividida politicamente, é muito difícil explicar para um estrangeiro que não há um risco iminente de turbulência política. É mais um fator pra colocar em cautela o investidor”, alerta.

 

NOVIDADE DOS JUROS BAIXOS

Um fator econômico diferente em 2020 são os juros baixos, algo que Dupita classifica como “inédito na história”. No curto prazo, isso significa mais crescimento e lucro para as empresas. Ela alerta, portanto, para as consequências desse cenário a longo prazo: “No momento de juros baixos, existe um certo risco de que o excesso de otimismo leve empresas a embarcarem em projetos que não se sustentam ao longo do tempo.  Isso é uma cautela que tem que ter”. Outra possível mudança são cortes em subsídios governamentais financeiros (como a isenção de LCA), que podem ser retirados mediante a queda de juros. O momento é bom para quem busca financiamento via equity, segundo a especialista.

 

E O DÓLAR?

Uma das questões econômicas ainda indefinidas é o câmbio. O dólar fechou a R$ 4,28 em janeiro e alcançou seu maior valor nominal da história. Para Volpon, dois fatores contribuíram para esse aumento: a queda nas exportações brasileiras e a demanda de dólares por brasileiros. “O setor corporativo brasileiro é comprador de dólares, e não vendedor de dólares. Isso tem pressionado o câmbio. Por essa falta de entrada de estrangeiro e demanda de brasileiros, quem fechou essa conta foi o Banco Central vendendo reservas. Então o câmbio está artificial por causa dessas vendas do BC”, analisa. Com um crescimento econômico mais consolidado acima de 2% e a aprovação de reformas, é mais provável que o investidor estrangeiro entre com mais vontade no mercado e o real se aprecie.

 

SETOR PRIVADO EM 2020

O setor privado está animado com pautas como a reforma da Previdência, leilões e concessões, juros baixos, a possibilidade da reforma tributária e também da onda de startups no Brasil. Como gargalos, ainda enxerga a estabilidade política e econômica, assim como tensões internacionais. Quem fez essa análise foi Augusto Lins, Presidente da Stone Pagamentos: em sua opinião, a hora de investir é agora. E ele dá o exemplo da Stone como um case de sucesso: “A essência é identificar um problema, uma dor, desenhar uma solução, testar e investir com força. Tudo tem que ser feito com muita qualidade do serviço, que durante muito tempo foi vista como um problema. Hoje, ela virou vantagem competitiva”, alerta. Outra dica do executivo foi acompanhar outras indústrias em outros países, buscando referências em outros locais de transformações importantes. A especialização em cyber segurança não deve ficar restrita à área de Tecnologia: “É um problema do CEO e que impacta na sobrevivência da companhia”.

 

MINAS GERAIS

Com o PIB crescendo cerca de 2%, a previsão é que o estado de Minas Gerais cresça em torno de 3%. Essa é a expectativa de Sérgio Gusmão, Diretor-Presidente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais: “Minas tem característica pró-cíclica: quando o Brasil cresce, crescemos um pouco mais, e isso também acontece quando há uma recessão: somos mais atingidos”.

Sobre as chuvas que causaram estragos em diversos municípios do estado, Gusmão afirmou: é preciso planejamento. “A médio e longo prazo precisamos de planejamento urbano, porque com mudanças climáticas de fato precisamos preparar as cidades para um clima muito diferente do que estamos acostumados, sobretudo pensando em investir em infraestrutura resiliente e adaptada”, relata. O banco anunciou na última semana linhas de crédito para municípios e micro empresas que foram afetadas pelo clima e precisam de financiamento para se reerguer.

 

O QUE É O CEO DINNER?

São nossos encontros exclusivos para aproximar executivos com interesses complementares. Além deles, todos os nossos eventos de conteúdo contam com momento dedicado ao networking.

PARA QUEM?

Todos das empresas associadas desde que estejam em linha com o formato ou perfil do encontro.

COMO FUNCIONA?

Identificamos perfis de empresas com sinergia para ofertar ou comprar produtos e serviços. 

 

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