Educação, inovação e regras claras são cruciais à produtividade, segundo Microsoft, Walmart e AES

publicado 06/04/2016 15h03, última modificação 06/04/2016 15h03
São Paulo – Ganho de escala, redução de custos e novas tecnologias fazem parte das medidas
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“A produtividade passa pelo acesso a novas tecnologias e inovação, e uma de nossas maiores ambições é reinventa-la e também os processos de trabalho.” A frase de Paula Bellizia, presidente da Microsoft Brasil, revela o que sua empresa entende como um dos desafios para aumentar a produtividade empresarial. A executiva participou do painel empresarial do seminário ‘A Competitividade e o Ambiente de Negócios no Brasil’, realizado na terça-feira (5/4) pela Americas Society/ Council of the Americas  (AS/COA) e Amcham.

Flávio Cotini, CEO do Walmart Brasil e Julian Nebreda, CEO do Grupo AES Brasil, compuseram o painel que teve como moderador Brian Winter, vice-presidente de política da AS/COA e editor-chefe da Americas Quarterly.

De acordo com Paula, a tecnologia de informação (TI) possibilita aumentar a produtividade das empresas com baixo custo. “Hoje o custo de aquisição de tecnologia como serviço dá acesso à ganhos de escala, além de reduzir gastos com deslocamento e viagens.”

Além disso, a TI possibilita medir a eficiência dos processos. “Como gestores e pessoas que trabalham com produtividade, vocês sabem que tudo o que se mede se melhora”, acrescenta. Na Microsoft, a produtividade é medida por ferramentas tecnológicas que compartilham tarefas com o ecossistema de parceiros e colaboradores.

Além da tecnologia, a empresa foca em educação e empreendedorismo. Por isso, a empresa atua junto ao setor público e privado através da doação de software e treinamento de professores. “Nosso compromisso está ligado à educação e espírito empreendedor, e para um país ser competitivo, tem que estar preparado em educação”, argumenta Paula.

O ambiente de empreendedorismo é estimulado através de programas de fomento às startups e pequenas e médias empresas. “Acreditamos que estimulando o empreendedorismo, criaremos empresas do futuro que vão consumir tecnologia. É um negócio para a Microsoft, mas também uma forma de gerar empregos no futuro.”

 

Capacitação de pessoas

No Walmart Brasil, o uso de TI é uma das formas de aumentar a produtividade. “Teremos 100% das lojas integradas este ano”, afirma Flávio Cotini, CEO do Walmart Brasil. Além de integração, o Walmart está reformando seu portfolio de lojas e aperfeiçoando sua infraestrutura para tornar a experiência de compra mais eficiente.

Assim como a Microsoft, o Walmart também está qualificando a formação de sua mão de obra presente e futura. Em parceria com escolas públicas, o Walmart qualificou cerca de sete mil jovens carentes para o mercado de trabalho. “Temos inserção de 80% dessas pessoas no mercado de trabalho. É uma forma que temos de contribuir para a sociedade”, segundo Cotini.

Alem disso, para o aumento da competitividade empresarial como um todo, o executivo defende reformas estruturais. “Temos que focar na redução do sistema tributário, a melhoria dos gargalos de infraestrutura e da mão de obra.”

Regras estáveis de negócio

O Grupo AES Brasil defende o desenvolvimento de energias renováveis no Brasil, segundo Julian Nebreda, CEO do Grupo AES Brasil. Para ele, o modelo de construir hidrelétricas com reservatórios esbarra em limitações ambientais, políticas e econômicas.

“A solução energética passa por resolver a questão das garantias de fornecimento de energia renovável (vento, eólica e solar) de forma confiável”, segundo o CEO. Isso inclui regulação que garanta às empresas estabilidade de preços, incentivo ao financiamento privado e estímulo à chegada de novas tecnologias.

O moderador Brian Winter, vice-presidente de política da AS/COA e editor-chefe da Americas Quarterly, disse que a crise no Brasil é uma oportunidade para que o país crie condições de aumento de competitividade. “O caminho para sair da crise passa, sem dúvida, pela questão da competitividade das empresas.”