Eleição de 2018 será vencida por candidato de centro-direita, afirma cientista político

publicado 02/10/2017 08h48, última modificação 02/10/2017 10h25
São Paulo – Heni Ozi Cukier vê um momento de transição na política nacional com desgaste de “políticos tradicionais”
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Especialista participou do comitê estratégico de Marketing da Amcham

O candidato que ganhará a eleição presidencial de 2018 será de centro-direita, e não um de esquerda. Essa é a avaliação de Heni Ozi Cukier, cientista político, que fez uma análise da conjuntura atual durante o comitê de Marketing da Amcham – São Paulo. “Foram 13 anos de esquerda no poder. Mas esse é um momento de transição - esse movimento é mundial. A esquerda perdeu um pouco seu monopólio político em vários países. Acho isso saudável, a democracia tem que alterar. A direita ou ideias de direita vão ganhar a eleição”, afirmou o especialista.

Antes das eleições de 2018, Cukier acredita que haverá uma reforma política “tímida”. Depois da proibição das doações por parte de empresas, a grande questão para o próximo ano é como os partidos pagarão as campanhas. O cientista político acredita que o financiamento público não é a solução para o problema. A ideia de associar toda a corrupção do sistema político com o financiamento privado é um erro, segundo sua avaliação. “Tirar as empresas do financiamento é convidar o crime organizado para o financiamento. O que tem que acontecer é uma fiscalização competente, com regras ou mecanismos melhores de fiscalização”, afirma. O especialista acredita que essa medida pode perpetuar os partidos que estão no poder, já que eles teriam acesso à verba da máquina pública.

Os desdobramentos da Lava Jato até outubro do ano que devem contribuir para desgastar o que Cukier chama de “políticos tradicionais”, principalmente no Legislativo. Nesse contexto, há uma janela para a entrada de políticos não tradicionais – pessoas que até agora não estavam no mundo da política. Ele avalia que esse é um movimento positivo, já que é uma forma de renovar a política, com o despontar de novos partidos. “Tem uma janela para partidos diferentes, que são poucos, já que não é fácil criar um partido no Brasil. O Novo é um deles que deve despontar, principalmente no legislativo. Ele nasceu com uma lógica diferenciada, que separa aqueles que têm função administrativa e candidatos. Nos tradicionais, os presidentes dos diretórios são políticos com cargos. Isso não acontece no Novo”, destaca.

O modelo de financiamento do Partido Novo foi elogiado por Cukier, já que envolve mais participação de civis. O modelo de filiação traz um engajamento diferente, segundo o especialista, já que é sustentado por uma contribuição mensal de seus filiados. “O modelo de financiamento reforça esse link político entre ideias, pessoas e a instituição. Isso é muito importante para o Brasil, porque a participação política não existe em parte por isso, porque não vejo o que aquilo tem a ver com o que eu acho. Se eu pago, eu começo a prestar atenção naquilo, para ver onde eu estou gastando. É um meio de manter o partido alinhado”, reitera.

O especialista alerta que, embora o cenário pareça desanimador, as pessoas não podem se afastar da política. “O não envolvimento na política é a catástrofe, porque tudo passa pela política. Um projeto de um país é um projeto de via, não se constrói isso indo para a [Avenida] Paulista a cada 20 anos”, reafirma.